BANCADA JN Brasão abençoado

JFK e o F. C. Porto

Estava John Fitzgerald Kennedy ainda longe de pensar que ia ser presidente dos Estados Unidos quando, ao sair de um jogo que os seus Boston Red Sox tinham perdido, disse ao pai que, apesar da derrota, tinha sido uma boa partida e que a equipa até tinha jogado bem. O progenitor, homem de feitio difícil, prega-lhe uma bofetada e berra-lhe: "um jogo só é bom quando ganhamos".

Tirando o dispensável estalo, não podia concordar mais com a lição que o Joseph Kennedy deu ao filho: um jogo que o brasão abençoado perca é sempre péssimo. A vitória, mesmo que por meio a zero, com nota artística negativa e a sofrer como um cão até ao último segundo é sempre maravilhosa.

Bem sei que o amor tem dioptrias que nunca mais acabam, mas convém que não seja completamente cego. Jogar bem é ganhar, mas não se ganha consistentemente fazendo de forma sistemática más exibições.

Escrevo antes do jogo com o D. Aves - esse clube que tem tanto para contar acerca das poucas-vergonhas que se passam no futebol português - e, claro está, estou certo que o F. C. Porto irá ganhar o jogo, até a jogar com 7 contra o dream team do Barcelona teria a mesma certeza. Mas os desempenhos que a minha equipa tem tido deixam-me demasiado inquieto. E não é de agora. Os primeiros jogos pós-pandemia estão demasiado parecidos com os da pré. Os nervos do adepto são normais, a sensação de que qualquer equipa nos pode causar problemas sérios não.

Hoje, vou estar em primeiro lugar e o meu principal adversário ainda joga pior do que a minha equipa, falo de barriga cheia, claro. Mas o amor também é assim: sempre preocupado.

A entrada de Fábio Vieira no jogo contra o Marítimo deixou os portistas de água na boca. Mais um rapaz da nossa formação que parece estar destinado para altos voos. Já tinha acontecido com o Romário e, sobretudo, com o Vítor Ferreira - e vai acontecer com o Tomás Esteves.

Apesar de já terem aparecido vários jogadores vindos das camadas jovens na primeira equipa e terem mostrado qualidades, nenhum tem sido consistentemente utilizado. O treinador lá terá as suas razões e não tenho qualquer dúvida que está certo. Que nada interfira com o objetivo principal.

*Adepto do F. C. Porto

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