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O futebol é demasiado importante

O futebol é demasiado importante

Lembro-me muitas vezes de uma frase do ministro da guerra francês durante a Primeira Grande Guerra. Dizia George Clemenceau que a guerra é demasiado importante para ser deixada aos militares. A verdade é que a frase, apesar de famosa, pouco mais contém que um lugar comum, pode-se dizer o mesmo da saúde pública, da educação ou de outra qualquer atividade que precise de enquadramento político. No fundo quer-se dizer que quem trata da árvore não deve cuidar da floresta.

Não ocorrerá ao responsável pela comunidade dizer ao militar como deve planear uma qualquer batalha, nem ao médico como deve operar um paciente, nem ao professor como deve dar uma aula. Mas é ele que tem a obrigação, porque tem o mandato do povo, de enquadrar a ação do general ou do médico naquele que é o interesse geral. Os profissionais que não percebem que as suas ações só estão sujeitas aos seus julgamentos técnicos ou não percebem a essência da sua atividade como parte de um esforço comum ou são movidos por um interesse egoístico momentâneo. Um general que esgota os seus recursos para ganhar uma batalha, mesmo que a ganhe, é um mau general.

O bom general é o que não precisa que o responsável pela comunidade lhe lembre que há mais em jogo numa batalha do que a vitória ou a derrota conjuntural, que a comunidade perdura para lá dele e que o seu primeiro mandamento é ganhar o presente mas sem nunca comprometer o futuro. É preciso que o general saiba que quem só sabe de guerra nem de guerra sabe.

Não ignoro que esta coluna é sobre futebol.

A subir: Fez anteontem anos que o melhor jogador de futebol de todos os tempos marcou o mais emblemático golo da história. Maradona é o símbolo de quem pensa que o futebol é mais do que um jogo, é a expressão de sentimentos, de pertença, da possibilidade de os mais fracos vencerem os mais fracos. Também por isso é único.

A descer: Estou certo que o F. C. Porto ganhou ao Boavista, mas não o fez, de certeza absoluta, fazendo a exibição que fez contra o Aves. Além do jogo medíocre foi chocante ver a displicência e a passividade de alguns jogadores que chegaram este ano. Valha-nos o Vitinha e o Tomás.

*Adepto do F. C. Porto

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