Bancada JN

O futuro está ali

A nossa geração nunca viveu uma crise com as características desta. Só não se pode afirmar definitivamente que é a pior porque no fim é que se fazem as contas.

No entanto, se as consequências a nível da saúde pública ainda não são conhecidas, já sabemos que a crise económica vai ser muito violenta.

Se há algo que a História nos ensinou é que as recessões profundas aumentam muito as desigualdades. Ora, esta coluna é sobre o brasão abençoado e, claro, futebol.

A questão da desigualdade entre clubes e campeonatos já se punha de uma maneira clara, e ameaçava o jogo como o conhecemos. Isso vai-se agravar. Os clubes mais ricos vão ficar pouco mais pobres e os médios e pequenos empobrecerão muitíssimo e viverão ainda mais dificuldades para serem minimamente competitivos. O fosso vai-se agravar.

Os que gostam sobretudo de dinheiro e para quem o futebol não passa de mais uma forma de o ganhar não deixarão de aproveitar a oportunidade para tentar implementar o que há muito tempo querem: uma liga europeia. Uma competição em que o dinheiro será o rei e senhor, com clubes que rapidamente perderão a sua ligação à comunidade e aos valores que os fundaram, onde deixaremos de ter adeptos para ter fãs, uma coisa anódina sem paixão, sem o sentimento que nos prende a um clube a vida toda. Um jogo que se pode assemelhar muito ao futebol, mas não poderá a ser assim chamado porque nada terá a ver com o que amamos.

Bem sei que o futebol não está, neste momento, entre as nossas preocupações, e bem. Mas temos um futuro pela frente e nele também estará esta nossa paixão.

Nunca chegaremos a agradecer aos profissionais de saúde tudo o que estão a fazer pela comunidade. Há, porém, muita gente a que devemos muito, realço todos aqueles que produzem e distribuem os bens essenciais à nossa sobrevivência. Verdadeiros heróis.

A FIFA decidiu ajudar no combate ao vírus e doou 9 milhões de euros à Organização Mundial de Saúde. Cada um sabe com o que pode ajudar, mas tenho algumas dúvidas de que uma organização riquíssima, e que deve tudo à gente comum, podia-se ter esforçado um pouco mais.

*Adepto do F. C. Porto

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