Bancada JN

Viva nós

O futebol, os morangos que tenho no meu terraço e que estão a amadurecer, o gato que passou neste instante na minha soleira irritado com um pombo, o rio que vejo correr impávido e sereno mostrando-me a calma que não consigo ter, a mãe que ouço gritar com o filho que já não aguenta estar preso em casa, a grua que o vento embala, os primeiros passitos de um bebé numa varanda próxima, os queixumes de amor do adolescente que fala ao telefone com a namorada, vida e mais vida.

Neste momento que atravessamos não consigo distinguir o que é mais ou menos importante, sei que a vida é um conjunto enorme de coisas, sem hierarquia ou prioridade e que não fazem sentido umas sem as outras. Sobretudo, nada somos sem os outros. Sem a nossa família, sem os nossos amigos, sem os nossos adversários, sem os nossos inimigos, todos fazem parte do bem sem o qual nada interessa: a vida, sempre a vida. E agora para a preservarmos temos que ser um só, apenas homens e mulheres que querem voltar a sentir-se vivos, cientes que só juntos e solidários podem voltar aos seus amores e desamores. Tempo de abraçarmos virtualmente o nosso maior adversário para que ele recupere, precisamos dele para que a nossa vida valha a pena.

Não me interessa quem vai ser decretado campeão ou sequer se vai haver. Pensarei nisso quando voltar a levantar-me com aquele frio na espinha de dia do jogo, calçar as meias da sorte, ligar aos meus primos para que nos insultemos por cada um saber melhor do que o outro o que é melhor para o brasão abençoado, descer a Alameda, entrar na nossa casa e junto dos meus irmãos portistas gritar ao mundo o meu profundo amor pela vida e pelo meu muito amado F. C. Porto.

Em cima

O agradecimento para os nossos médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde. Um obrigado especial para os médicos e enfermeiros reformados que com o risco da própria vida se apresentaram para o combate. Nunca lhes chegaremos a agradecer o bastante.

Em baixo

O maior desprezo para os abutres que açambarcam mercadorias de primeira necessidade. Gente que pensa que o mundo acaba no seu umbigo, que julga que se basta a si mesma e não entende que só sairemos desta crise - e da que virá - juntos. Que os seus filhos tenham vergonha deles.

Adepto do F. C. Porto

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