O Jogo ao Vivo

Imagens

Últimas

Rafael Barbosa

No fundo do poço

1. Nunca é demais repetir a analogia: se há dois frangos e duas pessoas, a estatística vai dizer-nos que cada uma dessas pessoas comeu um frango, mesmo que uma delas tenha comido dois e a outra nenhum. Serve para nos lembrar que a estatística tem limites. Mas não elimina a sua importância. Por exemplo, a que tem a ver com o produto interno bruto per capita, que, mais do que a riqueza média de cada indivíduo, é útil para medir e comparar a riqueza de um país ou de uma região. E segundo os dados ontem divulgados pelo INE, há duas coisas que não mudam: Portugal continua a ser um parente pobre da Europa; e a manter assimetrias brutais entre as suas regiões. Lisboa destaca-se, como sempre, pela acumulação de riqueza (não confundir com lisboetas, porque também há muitos a quem não chegam os frangos). O Norte, ao contrário, pela pobreza. Três factos: a mais rica sub-região do Norte, a Área Metropolitana do Porto, está apenas em oitavo lugar, num total de 25; as restantes sete estão entre a metade mais pobre; e no fundo do poço está o Tâmega e Sousa (que corresponde, para quem esteja mais a par da geografia antiga, ao interior do distrito do Porto). Enquanto ninguém se propuser a levar a cabo uma revolução político-administrativa (sim, a regionalização), a solução continuará a ser a de sempre: migrar para um poleiro junto ao Terreiro do Paço.