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Rafael Barbosa

No fundo do poço

1. Nunca é demais repetir a analogia: se há dois frangos e duas pessoas, a estatística vai dizer-nos que cada uma dessas pessoas comeu um frango, mesmo que uma delas tenha comido dois e a outra nenhum. Serve para nos lembrar que a estatística tem limites. Mas não elimina a sua importância. Por exemplo, a que tem a ver com o produto interno bruto per capita, que, mais do que a riqueza média de cada indivíduo, é útil para medir e comparar a riqueza de um país ou de uma região. E segundo os dados ontem divulgados pelo INE, há duas coisas que não mudam: Portugal continua a ser um parente pobre da Europa; e a manter assimetrias brutais entre as suas regiões. Lisboa destaca-se, como sempre, pela acumulação de riqueza (não confundir com lisboetas, porque também há muitos a quem não chegam os frangos). O Norte, ao contrário, pela pobreza. Três factos: a mais rica sub-região do Norte, a Área Metropolitana do Porto, está apenas em oitavo lugar, num total de 25; as restantes sete estão entre a metade mais pobre; e no fundo do poço está o Tâmega e Sousa (que corresponde, para quem esteja mais a par da geografia antiga, ao interior do distrito do Porto). Enquanto ninguém se propuser a levar a cabo uma revolução político-administrativa (sim, a regionalização), a solução continuará a ser a de sempre: migrar para um poleiro junto ao Terreiro do Paço.

Rafael Barbosa

Os efeitos de Ana Gomes

É quase oficial: Ana Gomes será candidata às presidenciais de janeiro do ano que vem. Candidata socialista (militante do partido, antiga eurodeputada), ainda que sem o apoio do PS (uma nova tradição, posto que o partido também não apoiou candidato em 2016). Ora, só o facto de haver uma candidata socialista, por oficiosa que seja, é suficiente para virar a campanha de pernas para o ar. Nem tanto por causa do resultado final (é provável que o atual presidente seja reeleito e talvez por margem folgada), mas porque o debate deixa de ser exclusivamente entre o presidente que representa a moderação do centro político e os insurgentes (estejam eles à Esquerda ou à Direita).

Rafael Barbosa

Neurónios em vez de músculo

Parecia que estávamos de regresso a um telejornal de março ou abril. Escalpelizavam-se números a nível nacional, detalhavam-se números regionais, faziam-se apontamentos de reportagem onde quer que houvesse um caso, mostrava-se o repórter junto a um lar, voltava-se aos números em estúdio, desta vez por escalões etários, viajava-se para Norte, onde o veterano de guerra de Ovar pedia intervenções musculadas na capital. Vinha aí, portanto, o apocalipse.