Opinião

A Superliga e os super-ricos

A Superliga e os super-ricos

O presidente da Superliga foi de uma clareza meridiana. A ideia de juntar a elite do futebol num campeonato à parte é uma questão de poder e de dinheiro.

Como explicou Florentino Perez, os clubes mais poderosos precisam de mais dinheiro. Segundo o raciocínio elitista do também presidente do Real Madrid, com esse dinheiro poderão comprar os melhores jogadores dos clubes mais modestos, garantindo a estes as receitas com que poderão pagar os salários aos menos talentosos.

E poderão até entregar à UEFA, e à casta que nela gravita, mais dinheiro do que o que lhe chega através da Liga dos Campeões. Teremos então clubes cada vez mais poderosos e ricos, na sua competição de luxo, em instalações de luxo, jatos de luxo, hotéis de luxo e jogadores de luxo, e clubes pobres cada vez mais pobres a quem a filantropia dos ricos e poderosos reserva o suficiente para garantir uma sobrevivência modesta.

Os super-ricos do futebol não estão a inventar a roda. Limitam-se a emular o Mundo em que vivemos. Um Mundo em que a desigualdade deixou de ser um anátema e passou a ser uma virtude.

Como alerta um relatório da Oxfam (organização não governamental que se dedica ao combate à desigualdade e à pobreza), é o Mundo em que os dois mil bilionários do topo da pirâmide têm mais património (ou seja, dinheiro) do que o que poderiam gastar se vivessem mil vezes. Um Mundo em que só o acréscimo de riqueza das dez pessoas mais ricas do planeta, desde que começou a crise provocada pela pandemia, seria suficiente para evitar que alguém (todos e cada um de nós) caísse na pobreza e ainda para pagar as vacinas dos mais de sete mil milhões de habitantes da Terra.

Este é o Mundo em que vivemos, em que as elites capturam o poder político para seu benefício. Pelo que a questão mais importante que se coloca aos que não têm acesso, nem ao mundo dos super-ricos, nem ao mundo da Superliga, é mesmo a de saber o que estão dispostos a fazer para combater esta nefasta acumulação de poder e riqueza. Os super-ricos e os da Superliga não só não vão abdicar voluntariamente de nada, como farão o que for necessário para continuar a sugar todo o poder e riqueza a que puderem deitar a mão.

*Diretor-adjunto

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