Opinião

E agora as autárquicas

E agora as autárquicas

O rei está morto. Viva o rei! Porque, terminadas as presidenciais, estão ao virar da esquina as autárquicas, que têm natureza muito diferente, mas não deixarão de ser contaminadas pelos resultados de domingo passado. Ainda que as leituras que se podem fazer sejam diferentes à Esquerda e à Direita.

Começando pelo PS, passou pelas presidenciais como quem passa entre os pingos da chuva. E portanto com força e esperança intactas para o que aí vem. Os socialistas lideram mais de metade dos municípios do país (161). À partida, só poderia ficar pior. Mas, depois destas presidenciais e do que confirmaram sobre a reconfiguração à Direita, pode haver condições para um domínio socialista ainda maior.

Porque o PSD, principal adversário, e que já foi a maior força autárquica do país, vê reduzir-se a margem de crescimento. Os sociais-democratas presidem a 104 câmaras, mas cerca de duas dezenas graças a coligações com o CDS. Ora, os sinais sobre o valor eleitoral dos centristas não são animadores.

Acresce a ameaça que virá da quantidade e da força de candidaturas autárquicas por parte do Chega e da Iniciativa Liberal. Um pouco por todo o lado, mas com mais força no Interior, no caso dos radicais; mais concentrado nas grandes zonas urbanas de Lisboa e Porto, no caso dos liberais. A esta distância, nenhum dos partidos da nova Direita parece ter capacidade para conquistar câmaras. Mas poderão ter os votos suficientes para impedir o PSD de conquistar o poder, nuns casos, e de o perder, noutros.

À Esquerda do PS, as autárquicas colocam desafios diferentes. Ao Bloco, e uma vez que tem escassa implantação autárquica, quanto mais depressa passar, melhor. Para os comunistas, ao contrário, é a eleição mais importante de todas. Nos dias que correm, mais importante até do que eleições legislativas. É aqui que poderão contrariar, de novo, as notícias de uma morte tantas vezes anunciada (a uma escala mais pequena, o mesmo para o CDS). Mas a ameaça, sobretudo de perda de câmaras para os socialistas, seja na cintura de Lisboa, seja no Alentejo, é enorme.

*Diretor-adjunto

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