Opinião

Emagrecer por decreto

1. Não é uma questão de opinião, é factual. A inflação em maio foi de 8,1%. A gasolina e o gasóleo estão mais caros. Quase todos os bens e serviços, incluindo os essenciais, estão mais caros. A comida está mais cara. Como a atualização dos rendimentos não acompanha a taxa de inflação, os portugueses estão a empobrecer. E são cada vez mais os que já não conseguem pôr comida na mesa. Não é opinião, é facto denunciado pelas mais respeitadas instituições de solidariedade social: há cada vez mais gente a pedir ajuda e há cada vez menos gente com capacidade para ajudar. Perante isto, o que faz o Estado? Incentiva o emagrecimento forçado e decide, por decreto, reduzir de 120 mil para 90 mil o número de pessoas com acesso ao cabaz de alimentos que distribui aos mais vulneráveis. Faz algum sentido? Para quem usa o coração e a cabeça, não faz nenhum. Para um Governo em estado de negação, pelos vistos faz.

2. Rui Moreira tem conseguido irritar muita gente. Primeiro com a ameaça, entretanto concretizada, de abandonar a Associação Nacional de Municípios. Agora, por causa da desfaçatez com que sugere ao presidente da República que devolva o Orçamento à Assembleia da República, para que as verbas da descentralização tenham correspondência com as tarefas que o Estado central atira para as autarquias. Não há dúvidas, nos últimos meses, o presidente da Câmara do Porto escolheu vias menos ortodoxas para chamar a atenção para um problema evidente: que o Terreiro do Paço quer passar por tostões aquilo que até agora lhe custava milhões. A abordagem heterodoxa valeu-lhe críticas ferozes dos crentes. Foi acusado de abandonar o barco (no caso da ANMP) e de gostar de circo (no caso de Marcelo). Como são opiniões, não vale a pena contestar, cada um tem direito à sua. Ficam os factos: depois de Moreira optar por partir a loiça, o dinheiro vai aparecendo. Aos poucos, a custo, mas aparece. Ser independente funcionou.

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*Diretor-adjunto

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