Opinião

Abril na rua e na praia

Abril na rua e na praia

1. Comemora-se hoje mais um aniversário da Revolução de Abril. Já lá vão 45 anos desde esse dia libertador.

Para alguns, sobretudo entre os que são mais velhos do que a nossa democracia, é ainda um dia para relembrar a ditadura mesquinha e violenta, recuperar as propostas de futuro desenhadas a partir de armas enfeitadas com cravos, e até para sair à rua, reivindicando o compromisso contínuo com os três "d" de Abril: democratizar, desenvolver e descolonizar (a mentalidade de colono perdura). Para outros, sobretudo entre os que são mais novos do que a nossa democracia, é pouco mais do que uma efeméride histórica, com direito a folga e, quem sabe, onde abril não esteja para águas mil, um banho de sol e um mergulho no mar. Admiro os primeiros, não censuro os segundos. Foi também para democratizar o ócio que Abril se fez. Não é preocupante que metade dos inquiridos numa sondagem publicada hoje no JN tenha chumbado num teste sobre Abril (falhando mais de metade das oito perguntas). Não saberão de cor os nomes dos protagonistas, mas sentem, pelo menos em parte, os efeitos da generosidade dos capitães de Abril e de toda uma geração que transformou, no próprio dia, um golpe militar numa revolução popular.

2. As autarquias são um dos pilares de uma democracia saudável. As câmaras com a sua escala para resolver problemas fundamentais, mas caros (água, esgotos, escolas, habitação). As freguesias, pela proximidade e a resolução dos pequenos problemas quase porta a porta. Quando a bancarrota se declarou e a troika se instalou, o Governo PSD/CDS tentou iludir os credores e os portugueses com uma reforma estrutural no Poder Local. De cima para baixo, foram extintas 1168 freguesias. Foi preciso esperar seis anos, mas avança finalmente uma proposta para remendar (não para repor) uma decisão desprovida de sentido político, social e financeiro.

* CHEFE DE REDAÇÃO