Opinião

Futebol ou sexo?

Futebol ou sexo?

Bem sei que o escândalo mais recente remete para o Benfica e para as suspeitas de fraude fiscal que a PJ investiga, material propício a conclusões fulgurantes sobre o apodrecimento do mundo do futebol. Bem sei que Bruno de Carvalho continua à frente do Sporting e portanto a municiar análises acutilantes em que se cruzam casos de polícia com os efeitos do "burnout". Sei tudo isso, mas também que são temas demasiado sérios para tratar em tão poucos carateres de uma página de jornal. São temas que, pela sua complexidade, exigem dissecação em programas de debate sem limite de tempo. São temas, finalmente, que exigem espaço televisivo, onde o fulgor e a acutilância são sempre mais vistosos.

Razão pela qual me parece mais útil usar este espaço para falar de sexo. Na verdade, não é para falar, literalmente, de sexo. E só uma maneira de dizer e, no fundo, uma forma de chamar a atenção. Que foi precisamente o que Rui Rio não fez, quando apresentou as medidas do PSD para a promoção da natalidade. Imaginem o impacto que não teria tido se, em vez de usar um termo técnico que não interessa a ninguém, tivesse usado a expressão "promover o sexo reprodutivo". Suponho que, em vez de algumas notícias nos jornais do dia seguinte e umas notícias rapidinhas nos telejornais, era capaz de ter conseguido três ou quatro programas de debate nas televisões, quem sabe até um "prós e contras".

Talvez fosse a forma errada de impor um tema tão sério, mas posso garantir que valia a pena. Basta ir espreitar o documento original do PSD sobre a "hemorragia demográfica" e as propostas para promover o sexo reprodutivo (perdão, a natalidade) e combater a pobreza infantil, para perceber que é um exemplo raro de uma proposta partidária com cabeça, tronco e membros. É escolher, portanto, o que querem fazer logo à noite: futebol ou sexo?

* EDITOR-EXECUTIVO

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