Opinião

Não pintem a cara de preto

Não pintem a cara de preto

1. Os meninos e meninas da escola primária do Godinho, em Matosinhos, foram brincar ao Carnaval. Como se isso não fosse suficientemente bizarro, participaram num desfile mascarados de africanos. Pior ainda, pintaram a cara de preto. Felizmente, a indignação não tardou. Ainda que a associação de pais tenha garantido que não se tratava de racismo. Como explicou um deputado do Bloco de Esquerda, partido sempre atento a temas fraturantes, representar a cultura africana é "uma forma de racismo invertido". O que quer que isso queira dizer. "Parece inocente, mas não é", concluiu, lapidar, o mesmo deputado. Fica uma lição para a miudagem: quando quiserem celebrar a diversidade cultural, perguntem primeiro à brigada da moral e dos bons costumes. Mas fica também a esperança de que alguém avance com uma providência cautelar que acabe com as matrafonas. Já chega de machismo invertido.

2. O primeiro-ministro é um político atento às nuances do calendário. Em dia de Terça-feira Gorda, e portanto de excessos (desde que não se pinte a cara de preto), foi ao Programa da Cristina. E enquanto cozinhava uma cataplana de peixe, a sua mulher, Fernanda, deu conta das "imensas namoradas" do jovem António Costa. Ajudou às audiências da SIC e, presume-se, às ambições eleitorais do PS. Mas já se sabe que, à Terça-feira Gorda, sucede a Quarta-feira de Cinzas. Para a Igreja, recorde-se, tempo de jejum e abstinência. Um dia bom, portanto, para falar dos mil milhões de euros adicionais que se vão atirar para cima do buraco do Novo Banco. Que representam mais uma dose de jejum e abstinência para os contribuintes em particular, e para os portugueses em geral. A afirmação de António Costa de que não terá impacto nem no Orçamento do Estado, nem na dívida, nem no défice tem de ser lida como uma espécie de verdade invertida.

Chefe de redação

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