Opinião

Mais do que uma ponte

Vem aí mais uma ponte sobre o Douro. Na verdade, vêm aí mais duas. Mas, a que concentra agora as atenções é a que vai nascer nas proximidades da Ponte da Arrábida (e não a que vai ser construída a montante da ponte ferroviária de S. João).

Terminada que está a primeira fase do concurso, com as três propostas mais valorizadas pelo júri, instalou-se a controvérsia. Ouvem-se argumentos válidos em favor do interesse comum, mas também ecoam argumentos menos altruístas. Entre os que estão a favor, como entre os que estão contra. Seja como for, e como diz o adágio, é da discussão que nasce a luz.

E é também por isso que o JN e a TSF se juntam ao debate que se gerou no espaço público, dando-lhe ainda mais amplitude, através de uma conferência que vai decorrer, esta quinta-feira (21.30 horas), no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, numa parceria com as câmaras do Porto e de Gaia. Uma conferência que qualquer cidadão poderá acompanhar no local (inscrição obrigatória em jn.pt/conferências) ou a partir de casa, sem constrangimentos, uma vez que o debate será transmitido online e em direto.

É bom lembrar, no entanto, que o que está em jogo é muito mais do que uma ponte e os seus impactos na paisagem (que são sempre muitos e ainda mais quando se trata do estuário do Douro) e na cidade que já cá está, a das pedras como a das pessoas.

Esta nova ponte só se justifica, na verdade, porque será um dos pilares da futura linha de metro entre a Casa da Música (Porto) e Santo Ovídio (Gaia). Seis quilómetros, com outras tantas estações pelo caminho: Campo Alegre, Arrábida, Candal, Rotunda da VL8, Devesas (fazendo um interface com a estação ferroviária da Linha do Norte) e Soares dos Reis. Quem vive, trabalha ou estuda neste eixo compreende o impacto vital do que se propõe. Terá 325 mil clientes por dia, 120 milhões de viagens por ano. Com os consequentes benefícios ambientais e na qualidade de vida.

Quando surge uma nova ponte, há sempre contas de subtrair e contas de somar. Sendo certo que só faz sentido construí-la se, feito o acerto de contas, se chegar a um saldo positivo para o conjunto da comunidade. Mas também é bom lembrar que este não é o fim do processo. E muito menos do projeto. Que na verdade está a começar. É portanto o tempo de questionar. Para que depois venha o tempo de fazer.

*Diretor-adjunto

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