Opinião

Marcelo, PSD e sondagens

Marcelo, PSD e sondagens

1. Marcelo Rebelo de Sousa vai anunciar amanhã a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas. É um momento importante, institucional, em que o presidente da República (não confundir com o analista que vai debitando ideias ligeiras para os microfones das televisões) terá de explicar aos portugueses, a partir de Belém (e não de uma esquina qualquer), porque decidiu ameaçar e depois acionar a "bomba atómica". Sobretudo se tivermos em conta que não é nada certo que o futuro equilíbrio parlamentar venha a ser muito diferente do atual. Infelizmente, não precisará de se esforçar demasiado a fundamentar as suas razões e convicções. O que faz palpitar os corações e espevita a intriga da corte é se as eleições serão em janeiro ou fevereiro. A politiquice em vez da política.

2. O CDS parece estar num caminho sem regresso. Na verdade, não é demasiado importante. É diferente o caso do PSD. É o partido que protagoniza a alternância política. É dele que saem futuros chefes de Governo. É verdade que os sociais-democratas foram apanhados na curva. E que terá pouco tempo (por exemplo para que sarem as feridas da luta interna) de se apresentar como alternativa. Mas o PSD não foi apanhado de surpresa (a ameaça de dissolução foi para todos). E causa espanto que um líder do PSD acredite que a urgência justifica que se furte a um desafio em que escolheu a data e para o qual já tem adversário. Alguns dizem que, se o fizer, estará a cometer um suicídio político. Outros que estará a entregar a vitória numa bandeja ao PS. São apenas previsões. Podem ou não bater certo. A realidade é mais simples e não mudará, seja qual for o resultado: é antidemocrático.

3. Muita coisa mudou no país político durante as últimas duas semanas. É praticamente impossível perceber, nesta altura, qual a direção das dinâmicas políticas. As sondagens dos últimos meses, que ajudaram a ler a situação e a perceber as tendências, são nesta altura letra morta. E é também por isso que o barómetro que o JN, o DN e a TSF vão publicar nos próximos dias tem importância. Não porque nos vá traçar um quadro político definido e imutável, mas porque será possível começar a perceber os sinais que chegam dos portugueses. Sendo certo que, como sempre, serão apenas retratos do momento. E, no caso, de um momento particularmente volátil.

*Diretor-adjunto

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