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Opinião

Não é fascismo mas é perigoso

Não é fascismo mas é perigoso

Calma, o fascismo não está de regresso a Itália. Giorgia Meloni não é Benito Mussolini; os Irmãos de Itália não são os camisas-negras que marcharam sobre Roma; o ecossistema político, social e económico dos anos 20 do século XXI tem muito pouco que ver com os anos 20 do século XX e, finalmente, a Itália tem uma Constituição marcadamente antifascista (desde 1948) que os "irmãos" populistas de extrema-direita não conseguirão alterar, nem mesmo com a ajuda dos "primos" Salvini e Berlusconi.

Significa isto que quem preza os valores da democracia, dos direitos humanos, do Estado de direito não deve estar preocupado? Bem pelo contrário. Os Irmãos de Itália e os seus companheiros de estrada ganham força um pouco por toda a União Europeia (incluindo em Portugal) e não são adeptos dos princípios fundadores das democracias políticas europeias do nosso tempo. Mas, se é importante combatê-los na frente política, é pouco útil, até contraproducente, tratá-los como uma caricatura, que é o que se faz quando, por tudo e por nada, se agita o fantasma do regresso do fascismo.

Sim, a extrema-direita populista é perigosa. Não por ser fascista, mas porque apresenta soluções simples para problemas complexos; porque propõe a confrontação por oposição ao compromisso; porque faz a apologia de um patriotismo que não é mais do que nacionalismo "enriquecido" com nativismo e xenofobia e, por vezes, racismo puro e duro; porque defende o que apelida de valores cristãos da família e da sociedade, combatendo os direitos das mulheres e dos homossexuais.

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Meloni não é Mussolini e os Irmãos de Itália não são os camisas-negras (mesmo que haja por lá alguns). Mas apropriaram-se de algumas das suas bandeiras. O populismo de extrema-direita europeu usa a mentira como arma de arremesso político; é intolerante; autoritário; ataca as instituições democráticas e, se se sentir suficientemente forte, recusará os resultados eleitorais (como fez Trump e ameaça fazer Bolsonaro). É por isto que são perigosos e têm de ser combatidos. Em nome da liberdade, igualdade e fraternidade. Sem recurso a caricaturas simplistas.

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