Opinião

Não há greves fofinhas

Não há greves fofinhas

Não há greves fofinhas. Se há um impasse negocial e os trabalhadores decretam uma greve, o objetivo é causar dano e forçar o patrão a negociar. No Estado ou nas empresas privadas. É assim também com as greves dos professores. Reconhecer essa legitimidade não invalida, no entanto, que se questionem alguns dos métodos que estão a ser utilizados.

Em várias escolas, os professores quotizaram-se para pagar os funcionários que se juntaram à greve. Não foi solidariedade, foi um truque para conseguir fechar as escolas. Um método inaceitável em cima de um pré-aviso de greve, pelos vistos legal, que aposta na imprevisibilidade e permite que cada um falte quando achar melhor. Ou quando achar que o impacto é maior. Uma soma que gera o caos nas escolas.

Os pais, naturalmente, protestam. Porque já são muitos dias sem aulas. Em cima de dois anos letivos de pandemia. E porque, de repente, é impossível saber se as aulas começam na hora prevista, ou na seguinte. Se é preciso voltar a meio da manhã ou da tarde, abandonando o posto de trabalho.

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Alguns professores reagiram com a soberba de quem se julga o único defensor da escola pública: as escolas não são depósitos de crianças, dizem. Certíssimo. Mas o que é que isso tem a ver com a necessidade de pais e alunos saberem com que escola podem contar? Que interesse terá alienar pais e alunos de forma cega e, com isso, retirar o foco a um conjunto de reivindicações mais do que justo?

A precariedade de professores e funcionários, com contratos sucessivamente caducados e renovados (quando corre bem), é inaceitável. Os salários estão entre o mau (os dos professores) e o miserável (o dos funcionários). As perspetivas de progressão na carreira são quase nulas.

Mas quem tem de resolver este conflito é o Governo. Dentro do que o Orçamento do Estado for capaz (não é um saco sem fundo). Hoje começa nova ronda de negociações. É tempo de trocar proclamações inúteis por negociações sérias.

*Diretor-adjunto

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