Opinião

Nunca são favas contadas

Nunca são favas contadas

1. Rui Rio tirou Carlos Moedas da cartola e anunciou a sua candidatura à Câmara de Lisboa. Durante uma semana, pareciam favas contadas, entre comentadores e jornalistas que não disfarçavam o entusiasmo. O ex-comissário europeu era um candidato tão bom que só podia ganhar. Tão bom que até já estava encontrado o próximo líder do PSD e putativo primeiro-ministro.

E fizeram-se contas falaciosas aos resultados do Centro-Direita em Lisboa nas legislativas e nas europeias, para confirmar a entronização. De fora ficou a comparação com as autárquicas, a única que fazia sentido, talvez por não encaixar na narrativa, uma vez que PSD e CDS partem na verdade com uma desvantagem de 11 pontos para o PS.

Por outro lado, e ainda mais importante, a Direita de hoje não é igual à de ontem. Para além dos radicais do Chega, haverá candidato dos liberais, que preferem afirmar-se em terreno urbano favorável do que abrigar-se na "costela liberal" do ex-secretário de Estado de Passos. Moedas corre até o risco de ter pior resultado que a soma de PSD e CDS em 2017. Nunca são favas contadas.

2. Vem aí um plano para desconfinar. Se vingar a estratégia dos peritos, e com a exceção das escolas, tudo o resto, da economia ao lazer, deverá reabrir de acordo com a evolução dos casos a nível local. Mas não a nível concelhio, antes por grupos de concelhos. A validade de usar um modelo regional tem toda a lógica. Mas se a ideia é descentralizar o desconfinamento, assegurando escala e lógica intermunicipal, é inútil inventar novas divisões e baralhar o cidadão: o país já tem 23 comunidades intermunicipais (ou subregiões) lideradas por autarcas. Não vale a pena criar demasiadas expectativas num sistema político que tudo concentra no Terreiro do Paço, mas é por demais evidente que até para desconfinar faria sentido descentralizar (e regionalizar) o país.

*Diretor-adjunto

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