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O "centrão" ganha sempre

O "centrão" ganha sempre

1. Para quem ache que o quadro partidário em Portugal é fragmentado (oito partidos), compare-se com o Brasil: há 23 partidos representados na Câmara dos Deputados. Uma navegação impossível, mesmo para o mais informado dos cidadãos. Se tivermos em conta os partidos mais à Esquerda e próximos de Lula (incluindo o PT), somam agora pouco mais de 100 deputados (de um total de 513). O bloco de Direita mais próximo de Bolsonaro tem cerca de 200. Quer isto dizer que Bolsonaro terá mais facilidade do que Lula na hora de negociar acordos no Congresso que permitam governar? Não, porque quem manda é o "centrão".

2. Se o alinhamento político no Brasil fosse para levar a sério, não haveria dúvidas de que a soma do Centro-Direita, Direita e Extrema-Direita é maioritária. Sucede que a maioria dos partidos brasileiros (à Direita como à Esquerda) alinha pelo "centrão", seja qual for o presidente em funções. Não se trata de preferência pelo centro político, mas pelo centro de poder. O que tem cargos e dinheiro para distribuir. Um dos exemplos desse pragmatismo é o Partido Liberal, que agora acolhe Bolsonaro: quando Lula foi presidente, fez parte do "centrão" que deu estabilidade ao antigo operário metalúrgico. Voltará a fazê-lo para garantir uma fatia do bolo.

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3. Mesmo tratando-se do Brasil, seis milhões são muitos votos para recuperar. Lula está em vantagem e é o favorito para a segunda volta. Porque o voto é obrigatório e não se vislumbram razões para que os seus eleitores o abandonem (incluindo os muitos que já o escolheram como o mal menor e sabendo que, no mínimo, fechou os olhos à corrupção). E porque Simone Tebet e Ciro Gomes estão mais próximos de Lula (e, provavelmente, uma parte suficiente dos seus oito milhões de eleitores). Quanto a Bolsonaro, superou as sondagens. Mas, do que precisa é de se superar a si próprio. Sendo certo que a misoginia, o racismo, a homofobia e a apologia da violência têm o apoio (ou a complacência) de metade da população brasileira. Mau sinal para a democracia.

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