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Oposições

1 Se dúvidas havia sobre quem lidera, hoje, a Oposição à Direita, ontem foi um bom dia para as ajudar a desfazer. O PSD é o maior, mas não é o melhor. O discurso de Passos Coelho e seus pares é repetitivo, limitando-se a prever a catástrofe e a anunciar um novo resgate. O PSD parece um disco rachado, saudoso do tempo em que fazia "reformas", ou seja, do tempo em que promovia aumentos de impostos, cortava salários e pensões, reduzia o valor do trabalho e o tempo de descanso. Um tempo, é verdade, em que as exportações cresceram e a balança comercial se equilibrou, mas à custa do empobrecimento dos portugueses e, em particular, da classe média, à custa da emigração de meio milhão de pessoas, e, ainda e sempre, com uma dívida pública cada vez mais pesada.

2 Quem lidera, hoje, a Direita, é claramente o partido mais pequeno. O CDS-PP parece ser capaz de se reinventar, seja com a mudança de líder (ainda por cima mulher e jovem), seja pela capacidade de explorar as contradições que inevitavelmente atravessam a coligação que junta PS, BE e PCP. Dirigindo-se à classe média, Assunção Cristas procura recuperar o estatuto de líder do partido de contribuintes, alertando que será ao bolso da classe média que o Governo "vai buscar o dinheiro", ainda que correndo o risco de lhe lembrarem que foi também essa a fórmula usada pelo Governo de que fez parte. Bem mais hábil é a acusação de que a "Esquerda unida" não é capaz de montar uma alternativa, manietada que está pelas regras políticas e orçamentais da União Europeia. "Quem votou nos partidos da Esquerda descobriu que eles se habituaram muito depressa ao Poder" e puseram na gaveta "convicções, protestos, hinos e lemas". Uma das frases mais dolorosas (para a Esquerda) que se ouviu a um político nos últimos meses.

3 BE e PCP aceitaram apoiar um Governo socialista e aprovar o Orçamento do Estado. Foi uma espécie de dois em um: conseguiram a reversão de algumas das medidas de austeridade que marcaram os anos da troika; e afastaram a Direita do Poder. Um ano depois, já só sobra o segundo argumento. É curto e os responsáveis dos dois partidos mais à Esquerda sabem-no. Talvez seja por isso que a líder do Bloco não esconde o "arrependimento" pelo acordo que deu vida à "geringonça". Jerónimo de Sousa não revela a mesma candura, mas o líder do PCP fez ontem questão de acentuar as diferenças. O Governo não é "de Esquerda", mas "do PS". E é aos socialistas que cabe rejeitar o "pérfido plano" de Bruxelas que ameaça a soberania portuguesa. Fica por saber o que acontecerá se, como se prevê, o PS não o fizer. Ainda assim, e até ver, a ameaça de regresso da Direita ao Poder deve chegar para lhe prolongar a vida.

* EDITOR-EXECUTIVO

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