Opinião

Semáforo ou Jamaica?

Faltam três semanas para as eleições na Alemanha (por coincidência, no mesmo dia das autárquicas em Portugal).

Depois de 16 anos de domínio de Angela Merkel e da CDU (incluindo a CSU, o ramo bávaro dos democratas-cristãos), nada deverá ficar como dantes no país mais poderoso e influente da União Europeia. E que são, por isso, eleições que também merecem (ou deveriam merecer) a atenção dos portugueses.

Não se trata apenas da saída da chanceler. Está em cima da mesa a saída de cena do seu partido. De acordo com as sondagens mais recentes, o grande favorito a vencer é agora o SPD (sociais-democratas), catapultado pela popularidade crescente do líder, Olaf Scholz, ministro das Finanças e vice-chanceler da "grande coligação" que junta, há oito anos, os dois maiores partidos alemães. Por outro lado, e mesmo que a CDU resista à má imagem e à profusão de gafes do seu candidato, Armin Laschet, a vitória será sempre por "poucochinho". E isso muda tudo.

Ganhe um ou outro dos parceiros do atual Governo (ainda não parece ter chegado a vez dos Verdes, que lideraram as sondagens em abril e estão em queda desde então), e seja qual for o tipo de coligação no Bundestag (parlamento) que garanta uma maioria, os analistas são mais ou menos unânimes: não haverá renovação do "bloco central". O que significa que, pela primeira vez desde os anos 50 do século passado, terá de haver uma coligação a três.

Se ganhar o SPD (é o favorito nesta altura, com 25% no barómetro da televisão pública ZDF), a solução mais provável é a coligação "semáforo", que reflete as cores dos sociais-democratas (vermelho), liberais (amarelo) e ambientalistas (verde). Os números deverão ser mais do que suficientes, mas há um senão: os liberais do FDP (11%) serão o principal obstáculo à coesão de um eventual governo, sobretudo no que diz respeito a impostos e défice público.

Se, apesar de tudo, ganhar a CDU/CSU (está com 22%), o cenário mais provável é a coligação "Jamaica", que corresponde ao preto dos democratas-cristãos, ao verde dos ambientalistas e ao amarelo dos liberais (e às cores da bandeira do país caribenho). Aqui o "joker" seriam os Verdes, por causa das diferenças ideológicas relativamente aos outros dois, sobretudo no que diz respeito aos impostos e à integração europeia.

*Diretor-adjunto

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