Opinião

A decisão capital: governar Portugal

A decisão capital: governar Portugal

Portugal tem eleições legislativas a 30 de janeiro. Os portugueses têm uma importante decisão para tomar, não tanto por causa da eleição dos deputados à Assembleia da República, porque o regime em vigor das listas e não da eleição uninominal os torna um subproduto político da eleição legislativa, mas porque da configuração da Assembleia da República se vai retirar a base de sustentação do novo Governo de Portugal.

E nesse âmbito, colocam-se três cenários possíveis, com probabilidade razoável de ocorrerem, assumindo a perspetiva-base de que nenhum dos partidos alcançará a maioria absoluta.

No primeiro cenário, ganha o PS e consegue uma maioria parlamentar e de Governo com o BE e a CDU. Será a manutenção da gestão que temos tido, com a degradação da eficiência da máquina do Estado, com o crescimento do Estado assistencialista, com a incapacidade de tomar as medidas de reforma profunda que Portugal necessita em múltiplas áreas das quais destaco a Justiça, a Saúde e a Administração Interna.

No segundo cenário, ganha o PSD e consegue uma maioria parlamentar e de Governo com o CDS e a IL. Será o cenário da mudança profunda que o país precisa, da construção de um Estado verdadeiramente social que apoia quem precisa verdadeiramente e incentiva a trabalhar os que têm condições para tal, da implementação das reformas estruturais de que Portugal tanto necessita.

No terceiro cenário, só uma maioria do PS e do PSD consegue suportar um Governo de coligação estável, liderado obviamente pelo partido ganhador. Neste cenário, é necessário cuidar do "caderno de encargos" para que a capacidade reformista de uma solução desta natureza (que pode alcançar os 2/3 dos assentos parlamentares), potencialmente relevante, ganhe ao conservadorismo que uma maioria mais alargada pode instalar.

Em qualquer dos cenários, é fundamental para Portugal que tenhamos um acordo formal no quadro da Assembleia da República e do Governo, devidamente exigido e cuidado nos seus termos pelo presidente da República, que nesta fase pode ter a tentação ou a decisão inevitável de tentar um Governo de sua iniciativa, inspirando-se no atual modelo italiano que regista assinalável sucesso, mesmo com uma pergunta de difícil resposta: quem será o "nosso Draghi"?

Portugal não pode continuar a "geringonçar", a ser governado por um regime empatado por incapacidade de fazer reformas relevantes, algumas das quais são de capital importância para que possamos aproveitar a cem por cento os 52 000 M€ de Fundos Comunitários que já começamos a receber e podemos receber até ao final da década.

PUB

Há uma verdade muito importante: Portugal precisa de mais e melhor governação.

Presidente da Câmara de Aveiro

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG