Opinião

A perigosa queda dos governantes

A perigosa queda dos governantes

Uma sondagem publicada na semana passada anuncia uma queda de dimensão relevante na avaliação dos portugueses aos governantes.

E o mais importante não é o facto de cerca de 80% dos inquiridos defenderem uma remodelação governamental urgente, com o ministro Eduardo Cabrita à cabeça.

O mais importante é que numa fase tão importante e delicada da vida do país, da Europa e do Mundo, os portugueses baixam muito as suas notas de avaliação do primeiro-ministro, do Governo e do presidente da República, sendo necessário tomar boa nota dessa realidade que sentimos e percecionamos nas conversas de rua e do dia a dia.

A vontade de mudança é uma evidência que ainda não se transpõe para os líderes da Oposição, que se mantêm em patamares de avaliação dos cidadãos que ainda não incomodam quem governa, mas pelo menos não estão em perda, sendo necessário para a saúde da democracia e para o desenhar de alternativas que possam crescer em notoriedade, estando as atenções centradas em Rui Rio.

A constatação da necessidade de mudanças urgentes na governação é uma evidência mesmo para os menos atentos.

O Governo tem de ser coeso, decidido, reformista, corajoso, deixando de arrastar tantos assuntos, pequenos e grandes, de que é importante tratar para que Portugal consiga capacitar a sua administração pública, mobilizar os cidadãos, incentivar o investimento das empresas, implementar políticas ativas de emprego, ser mais determinado e incisivo no combate à pandemia.

O presidente da República tem de usar de forma mais pragmática a sua magistratura de influência para que os compromissos políticos que garantem a estabilidade governativa sejam mais estáveis, para que a Oposição tenha um campo de operação mais livre, para que os portugueses sintam tanto a sua ação como conhecem a sua opinião.

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Que o debate do estado da nação de amanhã possa estimular a Assembleia da República, o Governo e as oposições a assumirem posições relevantes e patrióticas, todas construtivas, porque Portugal não pode estar em modo de espera, de espera apenas dos fundos comunitários salvadores da economia, porque é preciso muito mais, num verdadeiro e consequente compromisso, desde já para que o Orçamento do Estado de 2022 seja um instrumento político, legal e financeiro com a devida robustez que o país necessita.

São os governantes capazes de suster a sua queda? Por cuidados de comunicação? Pela boa e consequente governação, como Portugal precisa?

São as oposições capazes de subir na conquista da confiança dos portugueses?

Portugal precisa de mais e melhor governação.

*Presidente da Câmara de Aveiro

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