Opinião

Desconfinar, lento, responsável e muito bem

Desconfinar, lento, responsável e muito bem

A resolução do Conselho de Ministros de 11 de março último aposta num "plano de desconfinamento" gradual, com medidas a implementar em dois meses, que de uma forma global parece razoável, equilibrado e determinado nos seus bons objetivos.

Com o acompanhamento do muito lento processo de vacinação pelo facto de estarem a chegar poucas vacinas, havendo já notícias preocupantes sobre as entregas do segundo trimestre, temos de fazer uma soma bem ponderada entre os vários fatores desta equação, para que esta fase delicada e ansiada em que vamos entrar corra bem, sem provocar uma nova vaga.

O desconfinamento lento e gradual, com a vacinação lenta e gradual, exige de cada um de nós portugueses uma atitude ativa e permanente de responsabilidade no que respeita à proteção individual e ao desenvolvimento da vida o mais normal possível, com reduzido risco de transmissão da covid-19.

Os bons resultados do primeiro confinamento tiveram no medo o seu aliado principal, pelas dúvidas todas de um processo novo e com muito más notícias de países como Espanha e Itália.

Os bons resultados do segundo confinamento tiveram no medo o seu aliado principal, pela demolidora pressão provocada pelos números da terceira vaga, dos internamentos hospitalares, da pressão enorme nos cuidados intensivos, e do chocante impacto das filas de ambulâncias à entrada dos hospitais.

A responsabilidade individual na cuidada gestão permanente das medidas de proteção individual - uso de máscara, lavagem e desinfeção das mãos e distanciamento social -, tem de ser a arma principal para evitar uma quarta vaga e um terceiro confinamento.

A saúde mental de cada cidadão, a vida comunitária de todos, a recuperação social e económica do país precisam do contributo fundamental dessa responsabilidade, que a testagem massiva e a intensificação da vacinação que queremos que aconteçam seguramente complementarão de forma muito relevante, mas sem a substituírem.

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É um desafio muito importante que se nos é colocado, e que tem de receber do Governo e do presidente da República exemplos expressivos que sirvam de testemunho, com comunicação em dose que baste, e otimismo moderado pela realidade, para que não se levantem as guardas por antecipação do tempo pós-covid-19 que todos queremos viver, mas que todos temos de construir.

Desconfinar é a palavra de ordem do momento, que tem de ser dita e praticada com o acompanhamento do ato e da palavra responsabilidade e da fundamental proteção individual, para que seja muito bem.

*Presidente da Câmara de Aveiro

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