Opinião

Eleições autárquicas e 4.ª vaga covid-19

Eleições autárquicas e 4.ª vaga covid-19

O Governo decidiu marcar as eleições autárquicas de 2021 para o dia 26 de setembro, ficando assim estabelecido o calendário desse importante exercício democrático que mobiliza o país em todos os seus municípios e em todas as suas freguesias e uniões de freguesia.

Aos mais distraídos e envolvidos em promessas da Esquerda e da extrema-esquerda, é bom lembrar que a organização do Estado ao nível das freguesias, que vai a votos, é a que está em vigor, não se concretizando o que já está possibilitado numa recente Lei da República, nomeadamente no que respeita à reversão de uniões de freguesia.

O processo das eleições autárquicas vai demonstrando um crescimento do radicalismo na relação entre as pessoas, perturbando o debate político e a fortaleza da democracia, vai criando mais movimentos "independentes" gerados por desavenças dentro dos partidos que estes não conseguem gerir e resolver internamente, o que deixa uma nota de preocupação relevante.

As eleições autárquicas devem ser vividas e geridas como são, locais, cuidando de retirar análises nacionais de forma cautelosa porque a soma linear dos resultados dos 308 municípios não tem qualquer sentido político próprio, porque soma realidades e motivações profundamente diversas e sem qualquer ligação entre si.

Que aconteça a democracia com uma participação saudável e positiva, de forma a que os cidadãos escolham de forma avisada e entreguem a gestão dos municípios e das freguesia aos candidatos mais capazes de gerir bem o desafiante mandato autárquico de 2021 a 2025. A vaga de cidadania dos próximos três meses tem de ser mais forte que a 4.ª vaga de covid-19 que de forma surpreendente estamos a viver, em época de verão, de convívio, de momento de oportunidade para que o setor da atividade económica do turismo possa faturar recuperando dos últimos e penosos meses.

Mas, afinal, a que se deve esta 4.ª vaga da pandemia?

Porque é que temos o triplo dos casos positivos em relação a igual período do ano passado, estando agora mais conhecedores da pandemia, mais protegidos pelos EPI e pelas vacinas? Afinal, o que se passa? Porque continua o Governo a gerir a pandemia à escala dos municípios num tempo em que a mobilidade das pessoas é mais intensa do que nunca?...

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Hoje deixo perguntas que exigem ser respondidas com uma atuação clara e corajosa, como o Governo ultimamente não tem tido, depois de se ter perdido em festas excessivas de futebol e otimismos perigosos para o combate a uma pandemia que tem de ser mais atento, mais intenso e sem intervalos ou férias.

O que esta 4.ª vaga da pandemia da covid-19 não pode perturbar, são as eleições autárquicas de 2021, sendo obviamente necessário encontrar formas de comunicar compatíveis com o combate à pandemia em que todos temos de estar envolvidos de forma muito atenta.

Presidente da Câmara de Aveiro

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