Opinião

Estado do Orçamento

Portugal vive um duro combate à pandemia do coronavírus / covid-19 e à crise económica e social que estamos a viver, sabendo que a utilização dos instrumentos do Estado são muito relevantes para os ganhos que queremos conseguir.

Portugal ouve apelos e chamadas extraordinárias de solidariedade para que haja coesão política e capacidade de unir esforços de forma a sermos mais capazes, competentes e consequentes no referido combate.

Mas para surpresa de todos a prática política vai desmentindo os discursos. O PS mantém a sua opção de governar com o apoio do BE e do PCP, embora cada vez menos apoiado e dizendo que não quer o apoio do PSD. O BE e o PCP estão cada vez mais longe do PS, embora fazendo um jogo duplo, mas este ano não votam a favor da proposta de Lei do Orçamento do Estado para o próximo ano. O PSD diz estar na bancada a ver o que se passa. O CDS está numa delicada perda. O Chega vai subindo em intenções de voto e em demagogia inconsequente.

O país vai vendo uma pobre e autêntica telenovela política de mau gosto, sem o necessário compromisso de governação tão fundamental para fazer o que tem de ser feito.

O país precisa com urgência de compromisso na governação, de uma coligação formal de Governo com maioria no Parlamento, com o atual Parlamento, no qual os partidos têm de ter um comportamento comprometido com os portugueses, uns governando, outros assumindo a Oposição e a afirmação de uma alternativa de Governo, sem jogo duplo.

O Orçamento é frágil e padece de tentativa de agradar a todos e de parecer que é bom.

O Orçamento está em mau estado, num País que está em verdadeiro estado de emergência política para se fortalecer para o combate ao covid-19 e para apoiar de forma determinada e consequente a atividade económica e social.

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A votação de amanhã na Assembleia da República vai aprovar na generalidade a proposta do Governo, com a novidade desse facto ocorrer sem a assunção de apoio dos dois partidos que apoiam o Governo, que, sendo minoritário no apoio Parlamentar, continuará a governar, mesmo com um ambiente político poluído, frágil e sem compromisso.

Que o trabalho em sede de especialidade, pressionado pelo forte crescimento da pandemia que infelizmente vivemos, consiga qualificar a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2021, de forma a que possa ser mesmo um instrumento capaz de ajudar os portugueses.

Portugal precisa e tem de ter mais e melhor.

*Presidente da Câmara de Aveiro

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