Opinião

Liberdade + responsabilidade

Liberdade + responsabilidade

Escreveu Eduardo Lourenço com grande expressividade que "mais importante que o destino é a viagem", numa alusão à estrada da vida como elemento gerador de experiências, realizações, sonhos..., que vamos materializando na viagem da vida, nas partilhas que vão fortalecendo as comunidades e fazendo pessoas felizes, nos destinos que sem destino vamos colocando nas etapas da vida.

Nestes tempos de honras à Revolução de Abril de 1974, à liberdade conquistada pelos portugueses, com as tropelias desviantes para o lado errado do 11 de Março de 1975 e a consolidação do caminho certo da nossa democracia propiciada pelo 25 de Novembro de 1975, temos de juntar a responsabilidade necessária para a boa gestão dos equilíbrios de um Estado de direito democrático.

Liberdade + responsabilidade garante o respeito pelos outros, modela os excessos que a solidão da liberdade sempre gera, ajuda a combater o crescimento desmesurado da extrema-esquerda e da extrema-direita que normalmente usam a liberdade folgada e irresponsável, geradora de ilusões frustrantes, que não podemos deixar desenvolver em defesa da democracia que dá a verdadeira primazia às pessoas e promove o crescimento económico que propicia uma distribuição equilibrada e justa da riqueza gerada.

Liberdade + responsabilidade garante que a nossa democracia tem um futuro melhor à sua frente, cultivando um Estado mais descentralizado, mais mobilizador dos cidadãos, mais eficiente e eficaz, mais transparente, menos problemático para as pessoas e para as empresas, menos gastador de recursos financeiros e de tempo.

Os cravos maioritariamente brancos que as floristas da Praça da Figueira entregaram aos militares da coluna comandada por Salgueiro Maia, foram, e têm de continuar a ser, símbolos da paz e cor da liberdade de cada um colorir a sua vida com as cores que entender por bem, sempre no respeito pelos outros.

E que o futuro que construímos a cada dia seja sempre respeitador da História notável de Portugal, um país com quase nove séculos de existência, modelado pelos tempos diferentes, por enquadramentos sem comparação possível, por gerações com heranças profundamente diferentes, por gente que tem altos e baixos, virtudes e defeitos, mas que seja o humanismo verdadeiramente solidário e inteligente a ganhar o espaço que nos acrescenta o ser homem.

Viva a liberdade bem somada à responsabilidade.

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*Presidente da Câmara de Aveiro

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