Opinião

Migrantes: problema ou oportunidade?

Migrantes: problema ou oportunidade?

O problema das migrações do Norte de África para a Europa voltou nas últimas semanas a ter episódios chocantes, com milhares de pessoas a arriscarem a vida e a ferirem todas as regras para entrarem na Europa à procura de uma vida melhor.

A União Europeia e os seus estados-membros continuam sem dar a devida resposta, mantendo-se numa lógica defensiva que recolhe quem aparece ou devolve à procedência.

A Europa tem um problema demográfico grave e não tem políticas de imigração nem de cooperação para o desenvolvimento dos países emissores, que são cada vez mais urgentes, em especial quando os países do Norte de África continuam a emitir milhares de emigrantes ilegais e a não dar as devidas condições de vida a muitos dos seus cidadãos.

Ao mesmo tempo, em Portugal e na Europa, numa fase de desemprego alto, não há portugueses nem europeus que queiram trabalhar na construção de civil, como jardineiros ou calceteiros, na manutenção industrial, e em tantos outros setores de atividade.

É urgente que Portugal e a Europa apostem em políticas de emprego e não em políticas de sustentação do desemprego, induzindo os cidadãos desempregados a assumirem o trabalho com a devida formação profissional, como opção de vida mais vantajosa e sustentável.

Para tal tem também o rendimento mínimo do trabalho de aumentar e afastar-se muito do rendimento máximo do não trabalho, assim como melhorar os mecanismos de combate à fraude e à economia paralela.

O investimento de Portugal e da União Europeia na cooperação para o desenvolvimento tem de ser um aposta forte e investidora nos países emissores de mão de obra, de forma a que o seu acolhimento tenha a devida sustentabilidade e o interesse das três partes seja cuidadosamente salvaguardado: do país emissor, do país europeu recetor e de cada um dos cidadãos migrantes.

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Portugal tem de investir mais na cooperação com os países que falam português, realizando operações económicas nesses países para apoiar e financiar o seu desenvolvimento, para formar profissionais e para os poder vir a acolher em território nacional com a devida qualidade e sustentabilidade social e económica.

A cooperação da União Europeia pode e deve envolver o BEI e uma política de negócios estrangeiros com a devida estruturação e transversalidade, cuidando das várias vantagens desse processo, não repetindo os erros da criação de guetos de gestão e controlo muito difícil, dados a radicalismos desestabilizadores, alimentadores da demagogia das extremas direita e esquerda que sempre fazem de conta pela demagogia, que são cuidadores das pessoas porque querem o Estado a dar tudo e mais alguma coisas sem políticas que capacitem e autonomizem a vida dessas pessoas.

A verdade é que os migrantes emitidos a esmo e recebidos sem estratégica, são um grave problema para todos, mas se tivermos políticas ousadas e verdadeiramente estruturantes e investidoras, podem ser uma importante oportunidade de desenvolvimento e de felicidade.

Presidente da Câmara de Aveiro

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