Opinião

A força da juventude

Enquanto agentes políticos, todos temos a obrigação de reforçar os níveis de envolvimento dos cidadãos na vida pública, do mero acesso à informação, ao estímulo ao exercício de um escrutínio exigente e sempre renovado, até à formulação de contributos para a melhoria do desempenho de todos os órgãos de governo.

Numa lógica simplista, o nível de participação cidadã é exclusivamente medido por via indireta, através dos números de abstenção de cada ato eleitoral, o que é muito redutor.

Há, pois, todo um compromisso com tal princípio que não deve descurar as franjas da população mais propensas para o seu "desligamento cívico", seja por insuficiência de recursos, por dificuldade de acesso aos canais de participação, seja por mero desinteresse.

De entre estas, os jovens são uma categoria que merece uma atenção particular por diversas ordens de razões. A primeira, por mais redundante que pareça, é que os jovens são as gerações futuras, e a vitalidade vindoura da democracia assentará sobretudo na perspetiva que alimentem sobre esta. Deixar afastar os jovens, alimentar o seu descrédito no "sistema" e estimular um conjunto de estereótipos a que alguns recorrem para fazer valer correntes mais extremistas, à Esquerda e à Direita, é ameaçar a sustentabilidade futura do regime democrático.

A segunda, não menos relevante, é que pelo seu nível de competências e conhecimento, pela sua criatividade e pela ambição intrínseca que sempre deve empurrar-nos para desejar mais e melhor, os jovens são uma poderosa força de transformação que não pode ser desaproveitada.

Se é certo que em Braga o Município tem conseguido catalisar bem a enorme dinâmica do associativismo juvenil existente, desenvolvendo múltiplas fórmulas de participação para os mais jovens, deixa-me particularmente satisfeito perceber que em cada vez mais contextos territoriais existe a capacidade empreendedora dos jovens para promoverem iniciativas de participação cidadã.

A título de exemplo, cito apenas duas com que tive o gosto recente de colaborar e que deveriam ser replicadas noutros contextos territoriais.

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Em Oliveira do Hospital, o FOHRUM assumiu-se como espaço de debate sobre o desenvolvimento futuro do concelho e da região, procurando agregar boas práticas que possam ser replicadas localmente.

Em Vila Real, a Youth Academy surgiu em 2019 para potenciar o contacto dos mais jovens com os protagonistas locais e nacionais das mais diversas áreas de intervenção, visando debater e gizar soluções que apoiem o desenvolvimento local, como bem ilustrou a Interior Summit realizada este fim de semana.

*Presidente da Câmara de Braga

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