O Jogo ao Vivo

Opinião

A guerra para lá da guerra

A guerra para lá da guerra

Mais de um mês e meio depois do início da invasão russa à Ucrânia, o conflito militar continua a dominar as atenções mediáticas e as intervenções das principais organizações internacionais e seus diferentes responsáveis.

Se as circunstâncias específicas desta guerra já não permitiriam a célere passagem ao estado de "anestesia coletiva" para que acabam por migrar na perceção pública muitos dos dramas que nos envolvem, a contínua revelação das atrocidades que vão marcando a atuação dos militares russos e as consequências sociais e económicas do conflito para o resto do mundo mais que justificam tal priorização.

Aliás, para lá das necessárias reações político-diplomáticas, podemos mesmo questionar-nos se a resposta da União Europeia - o patamar supranacional onde as principais decisões têm de ser tomadas - está também a acautelar o impacto económico desta guerra nos diferentes estados-membros.

PUB

Seja como for, e tal como já acontecera no prolongado período vivido da crise pandémica, ainda não totalmente erradicada, o foco na resposta aos desafios imediatos não nos pode distrair das questões estruturantes que igualmente merecem uma resposta coletiva.

Esta semana, foi tornado público o sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com evidências que a todos devem preocupar.

Se é verdade que a taxa de crescimento das emissões diminuiu na última década, as emissões globais atingiram o seu nível mais alto de sempre, colocando em risco toda e qualquer meta assumida para conter o aumento da temperatura.

Como bem vamos percebendo no nosso dia a dia, estas metas globais têm um impacto direto na qualidade de vida e no bem-estar das diferentes populações, face aos visíveis e dramáticos efeitos das alterações climáticas nos mais distintos territórios.

Ainda segundo o relatório do IPCC, a Humanidade está a atingir o limiar da capacidade de influência para garantir um futuro mais auspicioso. Para tal, identifica várias questões cruciais que vão da mudança dos estilos de vida e padrões de comportamento de todos os agentes a transformações significativas em todos os setores (a descarbonização das indústrias, a expansão do uso da energia limpa, a generalização da construção sustentável e a intensificação do transporte zero carbono são apenas alguns exemplos).

Mas, à cabeça de todas as prioridades está o aumento da inovação e o investimento massivo na sustentabilidade. E esta é uma batalha que não se pode deixar de travar, mesmo durante as demais guerras.

*Presidente da Câmara de Braga

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG