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A oportunidade da Europa

A oportunidade da Europa

Poderia começar este artigo com a clássica referência de que, "à data em que o mesmo é redigido, ainda não são conhecidos os resultados finais das eleições presidenciais americanas e ainda não é possível afirmar quem será o 46.o presidente dos Estados Unidos".

Todavia, antecipa-se que além de esse "disclaimer" ser um lugar-comum já algo deslocado, poderá ainda assim vir a ser utilizado por todos quanto emitam opinião sobre o tema ao longo dos próximos meses.

Disputas judiciais à parte, será difícil antecipar um desenlace diferente daquele que as contagens dos votos parecem ter determinado e que devolve a liderança dos EUA aos democratas, após o mais participado ato eleitoral de sempre, em que ambos os candidatos superam as votações de qualquer candidato anterior.

No geral, estas cifras atestam simultaneamente a vitalidade democrática do país e a sua profunda divisão, com os resultados finais em muitos dos estados decisivos a serem separados por uma ou duas dezenas de milhares de votos.

Relembrando a amargura pessoal de perder umas eleições por 2000 votos num universo inferior a 100 000 votantes, imagine-se a sensação de ver consumada uma derrota por cinco ou 10 mil votos em estados com vários milhões de eleitores......

Numa perspetiva mais política, este resultado poupou boa parte dos órgãos de comunicação social nacionais e internacionais à explicação de quão discrepante foi a realidade veiculada ao longo dos últimos quatro anos daquela que é a perceção de boa parte dos americanos.

À luz destes números, parece mesmo claro que o que determinou o desenlace final foi muito mais a gestão irresponsável e catastrófica da pandemia por Donald Trump do que os dislates de postura com que pontuou o seu mandato, que pouco prejudicaram o cumprimento dos compromissos para com aqueles que lhe confiaram o voto em 2016.

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E se Biden não é propriamente um líder que entusiasme, não deixou de beneficiar de ter muito menos fatores de rejeição que a sua antecessora democrata, Hillary Clinton.

Do lado europeu, a América tem que ser sempre vista mais como uma parceira do que como uma adversária, contando com os EUA como um aliado fundamental nas mais diversas esferas e em objetivos tão prioritários como a sustentabilidade global.

Mas o evidente turbilhão interno dos próximos tempos não deixará de representar uma oportunidade para a União Europeia tentar assumir outro protagonismo na cena internacional, da diplomacia à economia, da inovação à coesão social e regional. Assim os seus líderes a saibam aproveitar.

*Presidente da Câmara de Braga

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