Opinião

Agir local, fingir global

Agir local, fingir global

A ocorrência de qualquer conflito militar é sempre reprovável e merecedora do repúdio generalizado e dos esforços de conciliação possível das partes em confronto.

Quando uma guerra eclode por um mero impulso totalitário de um dos protagonistas, ao arrepio do livre e democrático exercício de autodeterminação do seu opositor circunstancial, a repulsa deve ser ainda mais veemente.

E, se as guerras não são melhores ou piores em função do local em que ocorrem, a invasão de um país aliado, identificado com os ideais europeus e que pode funcionar como teste a uma nova deriva expansionista daqueles que hoje exercem o poder na Rússia, menos nos deve deixar indiferentes.

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A primeira nota positiva é, pois, a reação imediata e expressiva de tantos e tantos cidadãos que, nas principais praças de todo o Mundo (incluindo Moscovo), enviaram um sinal claro de total intolerância para com esta situação.

De igual forma, uma palavra especial para a reação de diversas entidades desportivas, na solidariedade com o povo ucraniano, e na sanção à Rússia, em torno da participação ou acolhimento de diversas competições de relevo.

Numa base ainda mais próxima, realce para a mobilização coletiva de tantas associações, empresas, instituições sociais e cidadãos anónimos que, com o devido apoio dos poderes públicos de proximidade, rapidamente se disponibilizaram na angariação e prestação de apoio à Ucrânia nas suas diferentes necessidades.

Em apenas três dias, foram reunidos diversos equipamentos, roupas, alimentos, material médico e criadas as condições logísticas para os fazer chegar aos territórios de fronteira, numa vaga de solidariedade que será reforçada nos próximos dias.

Mais, foram desencadeados os esforços para apoiar o acolhimento de cidadãos ucranianos em fuga do conflito militar, assegurando em especial o reagrupamento familiar de muitos imigrantes há muito radicados no nosso país.

Em Braga, por exemplo, onde uma comunidade de mais de 800 ucranianos se encontra perfeitamente integrada na sociedade de há décadas a esta parte, foi já possível coligir disponibilidades de habitação, oportunidades de emprego e até espaços de acolhimento para empreendedores, aqui em resposta ao repto lançado pela rede das Global Startup Cities.

Em contraste, a indolência com que as diferentes instituições internacionais pactuaram com a ameaça agora concretizada e a timidez utilitarista com que parecem lidar com esta realidade suscitam uma séria apreensão com o nosso futuro, e atestam um enfraquecimento das lideranças que o tempo tem vindo a agravar.

Presidente da Câmara de Braga

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