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Opinião

Aqui eu sou feliz!

Indagar sobre as perspetivas dos cidadãos quanto à qualidade de vida nas suas cidades, quer numa apreciação global, quer em relação a cada uma das áreas que a determinam (educação, saúde, espaços verdes, segurança, equipamentos culturais, transportes, etc.) não é um mero exercício de curiosidade.

Segundo escreve a comissária europeia Elisa Ferreira no prefácio do Relatório sobre a Qualidade de Vida das Cidades Europeias em 2020, agora divulgado, tais dados servem para que os responsáveis públicos possam estabelecer comparações com os seus pares e orientar as suas prioridades políticas, tendo em vista qualificar os territórios onde mais população se concentra.

Para os responsáveis europeus, a relevância desta análise tem justificado a sua atualização periódica (desde que foi lançado o primeiro Eurobarómetro sobre o tema há mais de uma década), o alargamento do número de cidades analisadas (agora 83, de 37 países, incluindo alguns fora da União) e das temáticas apreciadas.

Tal como em relatórios anteriores, as duas únicas cidades portuguesas abrangidas foram Braga e Lisboa, com a capital a sofrer as agruras das condições de vida nas maiores metrópoles do Sul da Europa, ainda assim com resultados superiores às suas congéneres de Paris, Roma, Madrid ou Atenas.

Quanto a Braga, o Relatório reforça a tendência registada ao longo dos últimos anos: em 2013, a cidade encontrava-se abaixo do Top-20 das cidades analisadas; em 2015, subiu para o oitavo lugar; em 2020, com 97% dos seus habitantes a dizerem-se satisfeitos por viverem na cidade, apenas é ultrapassada por Copenhaga e Estocolmo.

Desta feita, 56% dos cidadãos (o décimo valor mais alto no estudo) dizem que essa qualidade de vida melhorou ao longo dos últimos cinco anos.

Setorialmente, 85% consideram a cidade segura (e apenas 8% foram alvo de furto no último ano) e a esmagadora maioria considera a cidade boa para imigrantes (95%, segundo melhor resultado do estudo); para idosos (94%, oitava posição) e para famílias com crianças (98%, a quarta melhor cidade do ranking).

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Estranhamente, apesar da relevância deste estudo, da credibilidade indiscutível da fonte e dos resultados excecionais da cidade de Braga, o mesmo passou à margem da generalidade dos órgãos de Comunicação Social (das TV nacionais - com a honrosa exceção da TVI -, à maioria das rádios e até a jornais com foco na Região Norte).

Alheios a tal indiferença, nós os bracarenses cá continuaremos felizes. Não irredutíveis como os gauleses, mas, como sempre, de porta aberta ao Mundo.

* presidente da Câmara de Braga

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