Opinião

Capitais de Cultura

No próximo dia 7 de dezembro, o júri internacional da União Europeia anunciará publicamente qual das quatro cidades finalistas portuguesas acompanhará a cidade da Letónia Liepaja como Capital Europeia da Cultura em 2027.

Depois de Lisboa, Porto e Guimarães (esta última em 2012), Braga, Aveiro, Évora e Ponta Delgada cumprem as últimas etapas para poderem atingir esse desiderato e conseguirem aceder às honras e às mordomias do título europeu, ao qual está associado um anunciado compromisso financeiro do Governo, superior a 25 milhões de euros.

As motivações destas e de várias outras cidades que se candidataram na primeira fase do processo de seleção (e de outras que não chegaram a concretizar a sua candidatura) vai, porém, muito para lá dos aspetos materiais.

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Num processo que decorreu em Portugal, pela primeira vez, de forma concorrencial, as cidades candidatas tiveram que demonstrar a consistência das suas políticas e dinâmicas culturais, delinear estratégias de médio e longo prazo, mobilizar os agentes locais, estabelecer parcerias regionais e internacionais, elaborar planos de investimento e programação que serão consumados qualquer que seja o resultado conhecido no final do ano.

Em suma, a Cultura ganhou e muito, em qualquer desses territórios, e, através desta, reforçou-se o seu potencial de desenvolvimento e aumentou-se a qualidade vida dos seus cidadãos.

Mais do que a mera salvaguarda dos ativos patrimoniais ou a promoção de um rol diferenciado de atividades de cariz cultural, de massas ou de nicho, a Cultura é um vetor essencial de qualquer modelo sustentável de desenvolvimento de uma cidade ou região.

Ela está presente nas dinâmicas educativas, no estímulo à criatividade e ao empreendedorismo, na promoção turística, na valorização do meio ambiente, na inclusão social.

Indiscutivelmente, um território com mais Cultura é mais atrativo e mais competitivo para as pessoas e empresas, e tem maior potencial de crescimento económico.

Num país em que a Cultura sempre se assumiu como um dos parentes pobres das políticas públicas nacionais, é inegável o contributo que todas estas cidades (e todas as outras que seguem estratégias semelhantes) estão a dar para o desenvolvimento global de Portugal.

No futuro próximo, um importante instrumento da política cultural nacional e, pelo referido, de apoio ao desenvolvimento mais coeso do país, seria claramente disseminar estas boas práticas e estimular a sua adoção por um leque alargado de municípios. Com capital. Com ou sem Capital.

*Presidente da Câmara de Braga

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