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Horizonte de vitória

Horizonte de vitória

A 12 de novembro último, mais de um mês depois das eleições autárquicas e alguns dias após a rejeição do Orçamento de Estado para 2022 no Parlamento, a SIC/Expresso divulgava uma sondagem do ICS/ISCTE que colocava o Partido Socialista nos 40%, 14 pontos à frente do PSD.

Com flutuações pontuais, a verdade é que os resultados desse estudo não divergiam substancialmente de várias outras sondagens publicadas ao longo dos últimos meses nos diferentes órgãos de comunicação social, nas quais o PS mantinha uma confortável vantagem de mais de dez pontos sobre o PSD.

Acreditando que a fiabilidade das sondagens se mantém a mesma face a ocasiões anteriores e ao que sucedeu, por exemplo, nas recentes eleições internas do PSD, os números dos estudos divulgados esta semana revelam uma realidade transfigurada.

Aliás, mais do que as sondagens em si, existe hoje, como não existia antes - nem sequer há um mês -, uma perceção de mudança de perspetiva dos portugueses que pode determinar uma viragem significativa nas eleições do próximo mês de janeiro.

Durante demasiado tempo, os eleitores pareceram condescender com a sucessão de erros do Governo de Costa, onde, com algumas honrosas exceções, proliferavam ministros impreparados, inábeis e incapazes de lidar com os desafios de áreas cruciais da governação.

No reverso da medalha, Rui Rio (e o PSD) não se demonstravam capazes de corporizar uma alternativa mobilizadora, abrindo espaço à afirmação de forças políticas à sua direita, ora assentes em valores e propostas próximas do eleitorado tradicional do Partido, ora pela via da demagogia antissistema que vai captando alguns incautos de todo o espetro político.

Nestas últimas semanas, o país parece ter atingido o ponto de saturação com a governação à vista socialista e estar mais disponível para ouvir e valorizar os múltiplos reparos que o PSD e o seu líder, relegitimado e reenergizado com as eleições internas, tem produzido sobre os mais diversos temas.

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Sendo que, na ausência de propostas concretas de futuro que o PSD ainda não tem para oferecer e de que o PS sempre prefere prescindir - para ajustar as suas opções políticas aos interesses em voga -, a decisão dos portugueses poderá residir numa velha e decisiva questão: em quem é possível confiar? Ou, de outra forma, quem governará o país de forma responsável, com menos custos para o seu futuro?

Cabe ao PSD unido, mobilizado e acutilante que saiu do seu 39º Congresso trabalhar, porta a porta, para demonstrar que só há uma resposta possível a essa questão.

*Presidente da Câmara de Braga

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