Opinião

Mais Portugal

Por estes dias, o sentimento de portugalidade tende a ser exacerbado, enquanto fator de reforço da nossa identidade coletiva e de mobilização para causas comuns.

É certo que se avizinha o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e que o vigor das palavras nos discursos de circunstância ou o caráter simbólico das iniciativas comemorativas podem dar um contributo para a reflexão e para a afirmação de perspetivas continuamente descuradas.

Este ano, o presidente da República estará na Madeira, na valorização da visão integral do nosso território e enfatizando os desafios e oportunidades da nossa dimensão atlântica, mas igualmente periférica aos olhos da Europa.

Infelizmente, tendo o próprio presidente associado o intenso programa dos próximos dias a um "virar da página" para o turismo da Região Autónoma, as celebrações acabam por coincidir com a inaceitável decisão do Reino Unido de retirar Portugal da sua lista verde de destinos, com as graves implicações que tal circunstância acarretará também para a atratividade do arquipélago.

Tal como em 2020, na África do Sul, também as iniciativas previstas para este ano para Bruxelas acabaram por ser canceladas. Fica, porém, o sentido simbólico da valorização do papel da nossa diáspora, tantas vezes desaproveitada enquanto embaixadores de proximidade da nossa economia e da nossa cultura.

Se é certo que jamais pode ser descurada a via diplomática no acompanhamento das condições de bem-estar dos nossos concidadãos nas comunidades que escolheram para buscar uma melhor oportunidade de vida, importa valorizar o seu papel enquanto veículos de disseminação dos nossos valores e das nossas raízes, bem como potenciar o seu espírito empreendedor e facilitador de novas relações comerciais.

Mundo fora, há milhões de portugueses cujos recursos, materiais e imateriais, podem ser um importante pilar do desenvolvimento futuro do país, que urge atrair enquanto potenciais investidores ou talento necessário em diversas áreas de competências.

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Não será por caso que, por cá, um Portugal maior se faz também com muitos milhares de cidadãos de outras nacionalidades que para aqui se dirigem em busca da concretização das suas ambições pessoais, mas que hoje se revelam um alicerce do crescimento de muitos setores de atividade.

Muito para lá das ocasionais Odemiras, há uma realidade positiva, transformadora, que os censos cuidarão de evidenciar em muitos territórios e que urge valorizar.

No mais, e se quisermos optar pela via mais simples, podemos sempre pôr mais uma bandeira à janela, que o Europeu está quase a começar.

*Presidente da Câmara de Braga

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