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Opinião

Març(el)o de esperança

Març(el)o de esperança

A deficiente comunicação acarreta enormes fragilidades para a capacidade de gestão pública da pandemia. Num processo tão duradouro quanto este, é fundamental a verdade sobre os factos, a clareza de propósitos, a demonstração inequívoca dos resultados que se pretende atingir em função de diferentes cenários.

A realidade cuidou de evidenciar uma prática totalmente dissonante destes princípios. E se é certo que nos meses da primeira vaga o esforço coletivo permitiu disfarçar insuficiências e limitações que a novidade sempre acarretaria, o correr do tempo trouxe à vista um país demasiado à deriva, com opções pouco sustentadas e com demasiadas "surpresas" na evolução dos acontecimentos, quando temos perante nós uma realidade global, que permitiria partilhar informação e boas práticas.

As áreas a acautelar continuam a ser fundamentalmente quatro, a que se junta agora o desenvolvimento do processo de vacinação: as medidas preventivas que controlem os riscos de propagação do contágio; a garantia da capacidade de resposta das unidades de saúde; as ações que apoiem a sobrevivência dos agentes económicos mais lesados; o acionar de respostas sociais ágeis e eficazes para apoiar as "novas" franjas mais desfavorecidas da população.

Território a território, as comunidades têm sido capazes de garantir a resposta à última questão, conjugando esforços dos setores público e privado em benefício de quem mais precisa.

No plano económico, é incontornável que muitos soçobrarão e que escasseiam recursos para acomodar o embate que tantos sentem. Daí que seja importante preparar com tempo o esforço de retoma e de reanimação futura dos diferentes setores.

Ao nível da vacinação, descontando as dificuldades (justificadas ou não) de acesso a mais doses das vacinas, o processo vai seguindo o seu curso no terreno, mas opta-se por valorizar dimensões secundárias que apenas alimentam a desconfiança pública e a demagogia. [Uma vez definidos com rigor os critérios para hierarquizar o acesso a vacinas dos mais altos responsáveis do Estado, jamais tal opção passaria para o livre arbítrio dos cidadãos que exercem a função que, essa sim, se entende salvaguardar.]

Todos os dias, vemos imagens dramáticas de diferentes hospitais, mas ninguém apresenta dados concretos sobre os meios físicos e humanos que ainda é possível mobilizar a nível nacional, em função de diferentes graus de emergência.

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E é nestas circunstâncias que a voz de um presidente mais pode fazer, pelo afago, pela determinação, mas, sobretudo, pela confiança que, pela verdade, pode incutir naqueles que lhe cumpre liderar.

*Presidente da Câmara de Braga

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