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Opinião

Mau clima

Prestes a chegar ao mês de agosto, com uma franja crescente da população a usufruir do seu maior período de férias, as preocupações habituais centram-se nos riscos de ocorrência de fogos florestais e na capacidade de resposta das diferentes estruturas da proteção civil.

Este ano, porém, por entre outras incertezas que as circunstâncias da pandemia acarretam, as próprias condições atmosféricas tendem a oscilar entre dias invernais e sequências de temperaturas tórridas um pouco por todo o país.

Ainda assim, com consequências bem menos gravosas que aquelas a que assistimos no centro da Europa, que já deixaram um rasto de devastação, mais de uma centena de mortos e um milhar de desaparecidos.

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Da forma mais crua possível, a natureza vai dando sinais de que as alterações climáticas não são uma questão esotérica no discurso de ambientalistas ou responsáveis políticos com uma "agenda moderna", mas algo que acarreta impactos já bem palpáveis no dia a dia e na qualidade de vida de milhões de cidadãos em todo o Mundo.

Aliás, mesmo aqueles que não sejam num determinado momento visados pelas situações climatéricas extremas acabam por sentir as consequências indiretas destes fenómenos, com impactos sociais e económicos relevantes.

A título de exemplo, os furacões que dilaceraram as Honduras e a Guatemala no passado outono empurraram centenas de milhares de pessoas para a fronteira que liga o México ao Sul dos Estados Unidos, entre as quais está um número incalculável de crianças não acompanhadas.

Até 2050, prevê-se que mais de 200 milhões de pessoas possam ter que deixar as suas casas, em função da subida do nível das águas do mar, a escassez de bens alimentares, a desertificação ou a mera ocorrência de fenómenos climáticos extremos.

A resposta exige a mobilização coletiva, dos governos às autoridades locais, dos poderes públicos às instituições da sociedade civil e a todos os cidadãos.

Seguramente, muitas das iniciativas a desenvolver obrigam-nos a sair da nossa zona de conforto, em áreas como as dinâmicas económicas, as políticas de mobilidade, a gestão dos recursos energéticos ou a valorização da biodiversidade ou dos recursos naturais.

Mas, na verdade, são já uma inevitabilidade e não uma opção política, o que também ajuda a perceber porque não estarão, enquanto tal, no topo do debate eleitoral que agora se inicia.

Da minha parte, até 27 de setembro, com votos de que exerçam em pleno a cidadania, de muita saúde e de boas férias para todos.

Presidente da Câmara de Braga

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