Opinião

O amanhã da CCDRN

Quando o Professor Fernando Freire de Sousa assumiu funções na presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) em julho de 2016, viviam-se circunstâncias muito particulares.

Estava ainda em fase final de encerramento o QREN, o Portugal 2020 já gatinhava e viviam-se várias tensões na região, entre territórios e entre instituições.

Poder-se-ia mesmo dizer que havia um sentimento de desconfiança comum, um incontornável obstáculo aos esforços de convergência e alinhamento estratégico de que a Região tanto carece, de há décadas a esta parte.

Pudessem os presidentes das CCDR serem monarquicamente associados a um cognome e Freire de Sousa poderia justamente ostentar o título de "O Pacificador".

A tal desiderato há ainda que juntar o importante papel assumido no primeiro processo de reprogramação e opções estratégicas diferenciadoras, como a abertura de linhas de apoio para o setor do Turismo.

Todavia, com a presidência nomeada pelo Governo, as CCDR há muito se transformaram em "meros" organismos desconcentrados do Estado central mais do que em estruturas representativas dos respetivos territórios, coartadas na sua capacidade de reivindicação e diminuídas no relacionamento ente pares (desde logo com as autonomias da vizinha Espanha).

O processo eleitoral que amanhã terá lugar envolvendo milhares de autarcas no Norte do país, pode ter sido algo tolhido por opções legislativas de quem apoia no discurso, mas obstaculiza na prática o reforço da regionalização, mas não deixa de contribuir para um outro grau de legitimidade política destes órgãos.

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E nem assiste o argumento de que o processo eleitoral é um mero formalismo após a concertação de vontades dos diretórios dos principais partidos, porquanto fosse outro o resultado final desse diálogo e o território daria a resposta devida a quem se esqueceu de o auscultar. O que, em si mesmo, é um enorme elogio que se pode fazer ao Professor António Cunha.

O seu manifesto é um exercício de coerência com o seu perfil e o seu percurso: na valorização do papel da formação na retenção e captação de talento e no estímulo que daí deve advir para o desenvolvimento económico dos territórios enquanto mote para a garantia da qualidade de vida das populações; na aposta na inovação, transição tecnológica e sustentabilidade; na valorização do diálogo institucional e da cooperação transfronteiriça; na assunção da ambição de reforçar o sentido e capacidade estratégica da CCDRN.

A CCDRN que, unido, o Norte começa a construir amanhã.

*Presidente da Câmara de Braga

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