Opinião

O futuro do PSD

Com alguma surpresa, quer face ao seu desempenho no Governo, quer face aos estudos de opinião divulgados nos meses que antecederam as eleições, o PS venceu as legislativas com maioria absoluta, esvaziando os partidos à sua esquerda.

Com menos surpresa, se olharmos a dados mais estruturais, o PSD ficou a uma significativa distância, a IL e o Chega conquistaram o seu espaço de afirmação e o CDS acaba dizimado e fora do Parlamento.

No rescaldo de um processo eleitoral que determina uma tão significativa reconfiguração do mapa político, é fácil enveredar por análises catastrofistas em relação ao futuro da principal alternativa de poder existente, ou por uma imputação de resultados nominal que parece estar longe de corresponder à realidade.

PUB

Em 2015, e depois de um dos períodos mais difíceis da nossa História, que exigiu ao Governo o cumprimento de uma agenda clara e comprometida com circunstâncias muito particulares, a coligação PSD/CDS venceu as eleições, mas perdeu 30 deputados face ao ato eleitoral anterior.

De então para cá, em todos os atos eleitorais nacionais registados, o PSD ficou sempre abaixo dos 30%, tendo também perdido as autárquicas de 2017 e 2021 (aqui com a recuperação de câmaras emblemáticas).

Mais do que a afirmação de um novo modelo de articulação parlamentar, a geringonça pôs a nu as fragilidades que o PSD deixou acumular em vários níveis: um défice de representatividade das aspirações dos cidadãos comuns; um défice de articulação com as principais forças da sociedade civil; um défice de protagonistas capazes de liderar a intervenção em cada uma das áreas da governação; um défice de conteúdo programático, materializado numa visão clara e em propostas e objetivos concretos e mobilizadores.

Os potenciais defeitos das suas lideranças neste período apenas acentuaram essas lacunas e incapacidades.

Mais do que o sentimento da urgência da mudança, as sucessões naturais ou sebastiânicas, o futuro do PSD assenta num empenho coletivo que reponha esse contrato de confiança entre o Partido e os eleitores.

Antes de ser novamente uma alternativa de poder, o PSD tem de ser um modelo na Oposição, na Assembleia da República, mas sobretudo fora dela.

Mais do que teorizar sobre o tema, falo com a experiência de quem sabe a exigência, a entrega, a criatividade, a solidariedade e a competência que se exige a quem trilha esse caminho.

E, pegando numa expressão cara ao nosso atual líder, não estivesse eu "com os dois pés em Braga" e não hesitaria em voltar a percorrê-lo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG