Opinião

O habitual faz de conta

O habitual faz de conta

A cada novo ato eleitoral, sucede-se o lamento público em torno do agravamento dos números da abstenção e da aparente maior indiferença dos cidadãos com a escolha dos protagonistas a quem caberá gerir os seus destinos nos diferentes órgãos de poder.

Além de questões de natureza estatística e administrativa que poderão, aqui e além, empolar as cifras registadas em cada ato eleitoral; além de uma pertinente análise da capacidade de envolvimento dos eleitores nas questões da gestão pública que a todos dizem respeito; sobressai igualmente uma questão estritamente operacional em torno das condições criadas para o exercício do direito de voto.

Será que, em cada momento, fazemos tudo o que está ao nosso alcance para estimular o exercício do voto por cada um dos cidadãos?

Há cerca de um ano, após as eleições presidenciais - as primeiras a realizarem-se em circunstâncias particulares por força das limitações à circulação de diversas franjas da população (residentes em lares, cidadãos isolados, etc.) -, sucederam-se as juras públicas de intenção de revisão das condições de participação nos atos eleitorais, do presidente da República aos diferentes partidos com representação parlamentar.

Curiosamente, alguns meses volvidos, as regras aplicadas às eleições autárquicas representaram um retrocesso em relação às condições vigentes nas eleições presidenciais, por exemplo, na supressão do voto antecipado livre, que sempre traduz uma redução da sobrecarga sobre as mesas de voto no dia da eleição, assim diminuindo também os riscos de contágio.

Agora, a menos de um mês das eleições legislativas, subsistem ainda muitas dúvidas sobre quais as condições que deverão ser disponibilizadas a essas mesmas franjas da população, com a particularidade de que se a gravidade dos casos de infeção é manifestamente menor, a quantidade registou um aumento exponencial, admitindo-se um cenário de centenas de milhares de cidadãos isolados na envolvente do ato eleitoral.

E, como habitualmente, acompanha-se o voluntarismo dos municípios, ora aumentando o número de mesas de voto, ora disponibilizando brigadas para a recolha do voto no domicílio e nas instituições de acolhimento.

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No final, tudo correrá pelo melhor. A abstenção, até porque serão umas eleições mais disputadas, poderá não aumentar muito. E todos concordarão que o processo deve ser revisto antes das próximas eleições... em 2024.

*Presidente da Câmara de Braga

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