Opinião

Pelo velho normal

O ano de 2021 começa sob o signo da expetativa em torno da evolução dos processos de vacinação contra a covid-19, em Portugal e Mundo fora. Sob uma expetativa positiva, é certo, porquanto a grande notícia do ano findo foi a capacidade de superação da Ciência quando colocada perante desafios da dimensão da pandemia em curso.

Ainda assim, com alguns fatores de incerteza: a multiplicidade de novas estirpes do vírus que vão sendo detetadas; a real efetividade das vacinas já disponíveis; a dinâmica da capacidade logística nos diferentes territórios; a acessibilidade às vacinas para uma franja ainda relevante da população mundial.

Por cá, o ano arranca com as eleições presidenciais. Uma curiosa corrida com vencedor antecipado em que mais do que competirem entre si (que não na disputa dos votos), cada um corre contra si próprio em função de diferentes objetivos: bater recorde de votação, afirmar o potencial de um projeto político, fidelizar eleitorado ou procurar espaço entre os eventuais desalinhados...

Mais adiante, as eleições autárquicas. O ato democrático por excelência, em que mais cidadãos se mobilizam em torno das diferentes candidaturas, seja para os órgãos municipais, seja para as diferentes freguesias. Entre os muitos milhares de candidatos em todo o país, um mesmo sentido de compromisso com as comunidades e a mesma disponibilidade para um exercício de proximidade que mais nenhum cargo político possibilita.

Já em janeiro, e durante todo o primeiro semestre, a presidência é outra, e não menos importante, com a assunção da liderança do Conselho da União Europeia por Portugal. Num momento-chave para a Europa, quer pelos desafios globais que todos enfrentamos, quer pelas circunstâncias próprias que decorrem da ressaca do Brexit, da negociação do novo Quadro Comunitário ou da alocação de verbas aos projetos prioritários da "bazuca europeia", com os diferentes Planos de Recuperação e Resiliência nacionais, a missão do Governo português reveste-se de especial exigência.

De volta a Portugal, 2021 chega a insinuar que as principais consequências económicas, financeiras e sociais da pandemia podem estar ainda para chegar.

E é, talvez por isso, que mais do que a adaptação às novas realidades hoje comuns, muitos tenhamos desejado voltar um ano atrás. Ao momento em que iniciávamos mais um ano cheio de abraços, de convívios com os nossos, de dinamismo económico e de vida a transbordar em cada rua. A suspirar de saudades pelo velho normal!...

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Presidente da Câmara de Braga

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