Opinião

Quem TAPa este buraco?

Quem TAPa este buraco?

Desde que criei o "Suplemento de Economia" do "Diário do Minho", em 1999, até ao momento em que interrompi essa ligação, em 2009, a TAP era um dos temas mais versados nos meus artigos semanais.

Da abertura do capital às parcerias estratégicas a nível internacional, das polémicas em torno da nomeação das administrações aos recorrentes conflitos laborais, da renovação da frota às discussões em torno das opções comerciais e das rotas disponibilizadas, a companhia aérea portuguesa sempre se revelou uma fonte inesgotável de temas para a discussão pública.

Poderia recuar mesmo a 1994, aquando da aprovação do seu PESEF - o Plano Estratégico de Saneamento Económico e Financeiro, que deu origem a uma injeção financeira de 180 milhões de contos (hoje, mais de 900 milhões de euros) resultante da conjugação dos subsídios nacionais e comunitários, ou avançar no tempo para diversas outras circunstâncias que replicaram a querela política e a perplexidade dos cidadãos.

Num contínuo limiar da insolvência financeira e com frequentes dúvidas sobre o nível de serviço disponibilizado aos seus clientes, a TAP não tem também conseguido demonstrar a relevância da sua valia estratégica para o país e para os portugueses, por mais que o recorrente chavão da "companhia de bandeira" queira sugerir o contrário.

Aliás, mesmo sob esta perspetiva, a experiência internacional demonstra que a salvaguarda dos fins últimos que presidiam à manutenção de uma companhia aérea nacional não se confundem com a existência de uma estrutura acionista exclusivamente pública ou sequer maioritária das sociedades.

Em abono da TAP, esse "vol d"oiseau" pela aviação internacional também nos evidencia inúmeros casos similares ou com desenlaces bem mais complexos que o da transportadora nacional.

Mas as principais questões ficam por responder: que benefício não económico concreto tem ainda hoje Portugal com a sua companhia aérea, quando esta não responde com dignidade sequer às necessidades de todas as suas regiões (mesmo quando estas traduzem boas oportunidades de mercado)?

Que garantias existem de que os recursos que agora voltarão a ser injetados na empresa (1,2 mil milhões de euros) vão contribuir para a sua sustentabilidade financeira futura, para lá das "necessidades imediatas de liquidez"? Até quando, para a esmagadora maioria da população, a TAP continuará a ser sobretudo sinónimo de euros a voar?...

*Presidente da Câmara Municipal de Braga