Opinião

Um ano depois

Dentro de alguns dias, Portugal completa o primeiro ano desde que foi decretado o primeiro estado de emergência associado à crise pandémica, coincidente com o momento inicial de disseminação do vírus de forma mais generalizada.

Muitas renovações depois, e pese embora a natural saturação que o processo acarreta, os portugueses encaram de forma natural as múltiplas restrições das suas liberdades que este tipo de decisões acarreta, conscientes de que as mesmas se subordinam a um benefício geral que importa acautelar.

Ao longo deste ano, mais de 800 mil portugueses estiveram infetados, muitos deles em estado crítico, que exigiu o seu internamento (ou até o seu encaminhamento para unidades de cuidados intensivos), e mais de 16 600 acabaram por falecer, por razões diretamente imputáveis à covid.

Em paralelo, a sobrecarga provocada sobre as unidades de saúde terá limitado a sua capacidade de resposta a um sem-número de utentes, com consequências, imediatas e futuras, que estão longe de ser quantificadas.

Ainda no plano da saúde, se é já certo que as medidas preventivas inerentes à pandemia contribuíram para a redução de várias patologias, não será menos verdade que as circunstâncias que tivemos de enfrentar terão tido um impacto preocupante em vários domínios da saúde mental.

Pela negativa, sabemos também dos fortes impactos nos planos económico e social, devastadores até para muitos setores de atividade, e do elevado volume de recursos financeiros canalizado para as respostas de apoio à pandemia em diversas áreas.

Na educação, no desporto, na cultura, as consequências não foram menos gravosas e não deixarão também de ter efeitos duradouros.

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Em sentido contrário, a pandemia reforçou o nosso espírito coletivo e a capacidade de mobilização dos recursos de todos os interlocutores em prol de resultados comuns.

Enquanto sociedade, a digitalização avançou de forma acelerada em diversas frentes, das comunicações à educação e ao comércio, e a sustentabilidade ganhou nova relevância, pese embora revezes em alguns progressos anteriores (na mobilidade, na reutilização de recursos ou na menor utilização dos plásticos, por exemplo).

Muitas empresas foram capazes de se reinventar, como sempre acontece em contextos de crise, e surgiram novas áreas de negócio, ao mesmo tempo que se reforçou o sentido de fruição do espaço público. A ciência revelou-se exuberante na reação à pandemia, mas nem sempre foi devidamente valorizada por quem decide.

Hoje, a abrir um novo desconfinamento, alguém consegue antecipar como estaremos daqui a um ano?

Presidente da Câmara de Braga

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