Opinião

Um passeio à montanha

Um passeio à montanha

Se nada de imprevisível acontecer nas próximas semanas, o ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro será eleito líder do partido nas diretas que terão lugar no final do mês de maio.

Com o atual preço do combustível, poucos parecem dispostos a fazer uma tardia volta ao país, ao encontro das bases militantes, mesmo que para fazer a rodagem do carro. De igual forma, o atual modelo eletivo impede que um qualquer D. Sebastião emerja da neblina da Ribeira do Porto, no decurso do 40.o Congresso do Partido.

A esta luz, além das reservas de apoio interno que foi aglutinando e dos seus atributos pessoais e políticos, Luís Montenegro capitalizará em dois elementos fundamentais no quadro de qualquer processo eleitoral - a vontade e a disponibilidade do candidato -, enquanto fatores decisivos para um desenlace diferente do registado na sua disputa com Rui Rio em 2020.

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A suposta facilidade do percurso que o deve conduzir ao local de maior protagonismo no palco do Coliseu do Porto não terá, porém, comparação com a dureza do devir, qual prémio de montanha de primeira categoria.

Internamente, o tempo esclarecerá se a previsível tranquilidade destas eleições decorre de uma convergência genuína ou de uma mera acomodação perante a exigência do caminho a trilhar.

O novo líder terá sempre que se dedicar a uma reativação da militância; a uma reestruturação orgânica do Partido - mais ajustada às atuais dinâmicas territoriais e digitais -; ao estabelecimento de pontes com um Grupo Parlamentar que não formatou; à valorização dos contributos dos principais "cartões de visita" do PSD no território (autarcas e governos regionais); e ao melhor aproveitamento das dinâmicas positivas geradas pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e pelo CEN-Conselho Estratégico Nacional.

Mas, sobretudo, para aqueles cuja confiança quer conquistar, o novo líder terá que apresentar prioridades e propostas concretas, capazes de afirmar um caminho alternativo e de reforçar a sua credibilidade, ganhando a empatia de diferentes grupos de eleitores, sem excluir ninguém. Sem pressa, mas sem tempo a perder.

E terá também que o fazer com a adversidade de as circunstâncias imediatas voltarem a destacar realidades supranacionais; de o novo Governo dispor de um enorme manancial de recursos financeiros que lhe dariam todas as condições para brilhar; e sem se iludir com as supostas fragilidades que o processo de sucessão da liderança de António Costa poderá trazer ao PS.

Uma maratona, que o novo líder quererá que não se transforme numa estafeta.

Presidente da Câmara de Braga

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