Opinião

Um Portugal melhor

Poder-se-á pensar que as circunstâncias inerentes às disputas eleitorais sempre instigam um maior foco de contraditório e de exacerbar de argumentos na afirmação de diferenças que nem sempre são muito visíveis na rotina dos dias comuns.

Todavia, o que podia passar de um mero sentimento a um diagnóstico académico (até estatisticamente) sustentado da realidade do nosso país, é cada vez mais uma realidade incontornável que perpassa nas intervenções públicas de diferentes protagonistas de diversos quadrantes, politicamente asséticos.

Nos últimos anos, apesar dos enormes recursos que temos disponíveis - humanos, científicos, empresariais, sociais, naturais, patrimoniais... -, e de ocasiões, cidadãos e instituições que se conseguem elevar aos mais altos patamares internacionais, como que nos acomodámos a ser um país do "poucochinho".

Falta ambição. Falta uma visão estruturada de futuro. Falta capacidade de mobilização coletiva. Faltam ações concretas para percorrer o caminho que nos coloque num outro patamar de desenvolvimento, com respostas às necessidades concretas das pessoas.

Na sessão de apoio à sua candidatura à liderança do PSD que sábado teve lugar em Braga, Paulo Rangel dizia que vimos as palavras "sonho" e "esperança" desaparecer do léxico dos responsáveis políticos nos últimos anos.

Na mesma ocasião, e com um enorme pragmatismo, o meu amigo Fernando Alexandre chamava a atenção para a maneira como nos deixamos enredar na "discussão das coisas pequenas".

A essa mesma luz, é "totalmente incompreensível a forma como os atores políticos se entregam tantas vezes a discussões intensas em torno de decisões que, na verdade, deixam tudo praticamente na mesma".

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Tantas e tantas vezes, nas mais diversas áreas de governação, o sentimento de movimento não é mais do que uma anestesia para a constatação do muito que há por fazer, do muito que deveria ser feito para sermos verdadeiramente melhores.

A falta de consistência daqueles que têm a primeira obrigação de apresentar esse contrato de confiança com os portugueses, porquanto ambicionam que estes lhes confiem a condução do seu futuro, só abre portas à histeria extremista ou doutrinária, de quem tem terra fértil nessa insatisfação coletiva.

É por isso que, em todas as ocasiões, não podemos optar por nenhuma solução que nos afaste do caminho para um Portugal melhor, que nos permita ser e ter, coletivamente, tanto quanto possamos sonhar.

A força que temos na mão é a força que faz futuro.

Presidente da Câmara de Braga

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