Opinião

Uma (nova) geração à rasca

Uma (nova) geração à rasca

Ao longo das próximas semanas, um novo ano letivo vai ter início nos diversos graus de ensino. Primeiro, na maioria das instituições privadas. Depois, na generalidade das escolas públicas. Finalmente, no conjunto do Ensino Superior.

Em todas estas circunstâncias, os níveis de incerteza são ainda bastante elevados quanto às reais condições de funcionamento e ao prazo em que as mesmas poderão persistir, qualquer que seja o modelo (presencial, remoto ou híbrido) adotado por cada uma das entidades.

No primeiro semestre deste ano, os gestores das instituições, os professores, os pais/famílias e os alunos foram verdadeiros heróis na forma como se entregaram ao esforço de minorar as consequências das circunstâncias, de acomodar as necessidades de apoio mais próximo (tantas vezes com sacrifício pessoal e profissional dos progenitores), de diluir as incontornáveis assimetrias que esse modelo acarreta.

Hoje, as frentes de preocupação continuam múltiplas, desde a organização dos espaços e horários de aula; à dotação de equipamentos e meios tecnológicos; ao funcionamento de serviços coletivos; aos apoios sociais; aos meios de transporte; entre tantas outras variáveis.

Mas, de entre todos os visados, são os alunos, toda uma geração, que vê uma parte crucial das suas vidas subtraída sem retorno.

Em contexto de aprendizagem, por maior que seja o esforço de toda a comunidade educativa e das diversas entidades públicas, com inegáveis perdas, com potenciais impactos presentes e futuros.

Do ponto de vista da sociabilidade, com uma redução significativa dos contactos e dos laços que são fundamentais para estruturar um normal processo de desenvolvimento.

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Em termos complementares, com uma quase supressão das atividades físicas, culturais e sociais que constituíam pilares importantes da sua formação, da afirmação do seu talento e da sua realização pessoal.

Para os membros de toda esta geração não se trata, apenas, como se chegou a fazer crer, de carregarem o ónus de serem os principais veículos de possível contágio da população de risco que lhes é mais próxima, sejam professores, pais ou avós.

Muitos dados internacionais apontam para níveis de infeção elevados desde tenra idade, bastas vezes com consequências bastante nefastas nos níveis de saúde e bem-estar dos visados.

E mesmo que a esmagadora maioria não tenha a sua vida em risco, sentirá que já perdeu a "vida" e parte substancial da juventude a que tinha direito.

*Presidente da Câmara de Braga

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