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Opinião

Viver no carrossel

Há poucas semanas, o final do 15.º estado de emergência decretado pelo presidente da República era perspetivado como um sinal do aproximar do final da crise pandémica. Os números de infetados, internados e óbitos diminuíam consistentemente, o processo de vacinação acelerava, a situação no exterior aparentava ser igualmente promissora. Era o tempo de apostar na recuperação económica, na promoção turística, no normalizar das diferentes vivências e dinâmicas de cada comunidade.

Ao longo do mês de maio, a situação degradou-se de forma pontual, num leque restrito de concelhos do país, degradação supostamente associada a fenómenos de natureza local. Em todos os casos, ligada a algum desleixo com as regras vigentes, fosse em termos de distanciamento, de uso de máscara ou até de realização atempada de testes após os primeiros sintomas.

Aqui e além, com alguma ligeireza de análise. Em Braga, por exemplo, insistindo na associação do agravamento de ocorrências aos festejos da conquista da Taça, quando o aumento de casos já provinha das semanas anteriores.

Em junho, a situação alargou-se para o todo nacional, com especial incidência nas zonas urbanas mais densamente povoadas, ao ponto de Portugal voltar a ocupar uma das piores posições no contexto europeu, de ver barrada a liberdade de circulação de pessoas e de ver soar os alarmes no espaço mediático.

A partir dos factos, surgem as perplexidades. A primeira, sobre a ausência de uma gestão rigorosa da comunicação, dando azo à expressão de múltiplos sentimentos e ímpetos pela população.

Do ponto de vista da saúde pública, quais são os riscos presentes? Até que ponto é que o aumento de número de casos (a um ritmo até superior ao que hoje se verifica) pode voltar a pôr em causa a capacidade de resposta do serviço de saúde? Quais as garantias que o processo de vacinação propicia face à emergência de novas variantes do vírus?

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Ao nível da gestão das ocorrências, quem são realmente os infetados atuais? Que relações têm entre si? Estão vacinados? Não seria possível fazer um tratamento célere dos dados para detetar padrões e acionar medidas de controlo?

Ao nível dos meios de resposta disponíveis, como alargar a capacidade de testagem massiva em todos os territórios? Com que periodicidade? Que regras podem permitir a "normalização" da vida pública e das atividades económicas?

Passaram 16 meses, mas parece demasiadas vezes que estamos a lidar com o problema pela primeira vez. E, como se dizia noutros tempos, só com um Gouveia e Melo em cada esquina é que isto lá vai......

*Presidente da Câmara de Braga

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