Opinião

Mar de plástico

Há cerca de 150 milhões de toneladas de plástico nos oceanos. O seu consumo anual ultrapassa as 350 toneladas, das quais 13 a 15 milhões desaguam nos oceanos. Segundo a ONU, se a situação se mantiver, em 2050 haverá mais plástico no mar que peixes.

São de plástico 99% os detritos aglomerados por correntes oceâneas que formam as ilhas de lixo no Pacífico, a maior das quais tem 17 vezes a área de Portugal! São 51 milhões de milhões as partículas de microplásticos nos oceanos, corroendo de forma ignóbil toda a cadeia da vida! E há microplásticos no ar, nos alimentos, na água potável, nos corpos doentes dos seres vivos, na terra.

O plástico é omnipresente no nosso modelo de desenvolvimento. Em torno de si gira uma economia poderosa cujo volume de negócios, só na UE, atingiu 340 milhões de euros em 2015. A sua fabricação tem crescido nos últimos 50 anos, com o consumo per capita a aumentar, em especial na Ásia, onde estão os países mais poluidores. Prevê-se que a produção duplique nos próximos 20 anos.

O plástico é uma presença nas nossas vidas, por vezes impercetível nas diversas substâncias e formas onde se aplica. Mas os principais setores que utilizam plástico como matéria-prima são-nos próximos e visíveis: artigos de consumo doméstico (22,4%) e embalagens (39,9%). Só em Portugal, são usados 500 mil milhões de sacos plásticos por ano, vendidas 1 milhão de garrafas de plástico por minuto, sendo que 50% de todo o plástico que usamos é de utilização única.

Por isto, por tudo, o problema é nosso: de todos, de cada um, de quem produz, de quem governa. O tempo de fazer está a esgotar-se e acantonar as culpas no sistema ou nos consumidores, mesmo que com fundamento, não é boa desculpa.

A Estratégia Europeia para os Plásticos numa Economia Circular (Jan., 2018) centra a questão na conceção, fabricação, utilização e reciclagem do plástico. São passos para uma nova economia, mais inteligente e sustentável, que precisa de conhecimento e investimento. Mas não basta. É necessária maior e mais eficaz regulamentação. E é preciso que cada um acorde para a realidade.

PROFESSORA COORDENADORA DO P. PORTO

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