Opinião

Capacitar e diversificar o Ensino Superior

Capacitar e diversificar o Ensino Superior

É consensual reconhecer-se o papel do Ensino Superior no desenvolvimento do país e das pessoas. Mas, no geral, trata-se de uma opinião epidérmica que diz a frase, mas não se implica na sua adoção quando se discutem as opções estratégicas para o país e envelope financeiro que as suporta.

Porém, um sólido caminho tem vindo a fazer-se nos últimos anos. Há mudanças de fundo em curso no Ensino Superior e a publicação do Decreto-Lei n.0º 65, em 16 de agosto, é um testemunho real deste facto, reforçando o papel social das instituições e o seu compromisso com o conhecimento, favorecendo a contextos de diversificação das IES (Instituições de Ensino Superior), definindo condições que promovem a estabilização e rejuvenescimento do pessoal docente, corrigindo, deste modo, a trajetória de desinvestimento do início da década.

As IES não são ilhas isoladas, mas atores capitais das economias e democracias do conhecimento e o seu papel tem sofrido alterações profundas a nível mundial. O conhecimento e a inovação conhecem hoje novos espaços de criação e transmissão que não exclusivamente académicos, novos players e desafios. A responsabilidade primeira das IES é redimensionarem-se neste ecossistema, trabalhando em rede com diferentes parceiros sem alienar o seu estatuto de liderança na defesa da autonomia e da liberdade na criação cultural e científica. É este o sentido que fundamenta a realização de doutoramentos em ambientes não estritamente académicos (laboratórios do Estado, unidades de saúde ou empresas com atividade relevante de I&D, etc.) ou de mestrados profissionalizantes em parcerias com empresas, associações socioprofissionais e outras organizações. Os doutoramentos nos Politécnicos são a sequência natural da abertura aos desafios do presente e o reconhecimento de uma competência demonstrada pelas IES.

Diversificar é estimular a identidade própria de cada IE, a sua capacidade de se desenvolver e reverter para a sociedade o investimento que o país fez nela. É especializar, fomentando a diferença numa cultura de qualidade e mérito.

*PROFESSORA COORDENADORA DO P. PORTO

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