Bancada JN

E se Marcelo abdicar a favor do Zé Alberto?

E se Marcelo abdicar a favor do Zé Alberto?

Há cerca de um mês, um dos responsáveis por um diário de grande audiência ligou-me a perguntar por que não abdicava a favor de um adversário, para (alegava ele) bem do Benfica.

Para além da estranheza (e dos princípios que me impedem de revelar conversas privadas, a não ser em situações limite), só a educação que me deram me impediu de desligar imediatamente o telefone! Há dias, numa entrevista, perguntou-me a jornalista se ter sido atleta do Benfica me dava alguma vantagem sobre os meus adversários. Expliquei-lhe o episódio, com mais de 40 anos, em que (ainda júnior, num Benfica-Sporting) eu e os restantes jogadores do Benfica, chegámos ao balneário e José Casimiro, treinador, nos deu uma lição de 10 minutos de benfiquismo como antes só ouvira do meu pai, numa casa onde o Benfica foi adorado e respeitado.

Saber o peso que tem este equipamento importa na hora de perceber o que se passa na cabeça dos jogadores. Duas décadas depois, lutei contra Vale e Azevedo, pelo mal que percebia que ele iria fazer ao clube: fiz parte das listas de Luís Tadeu em 1997 e bati-me em assembleias-gerais contra o homem!

Em 1991 e 2000 assinei artigos de opinião em que fui bem claro no que queria para o Benfica - no primeiro, ecletismo, luta anual pelo título europeu e formação; no segundo, tudo isso e, num momento premonitório, também um clube longe de processos judiciais, sem sportinguistas e portistas na estrutura e livre de interesses alheios, designadamente de empresários e da Olivedesportos.

De 2009 a 2016, como vice-presidente do Benfica, lutei pela ambição europeia no futebol e contra a renovação do contrato com a Olivedesportos (um dia se contará a história de como o atual presidente chegou a validar a renovação, mas à 25.ª hora mudou de ideias, fazendo vingar a minha posição).

Saí pelo meu pé em 2016 quando o presidente anunciou a parceria estratégica com a Gestifute de Jorge Mendes. Esquecer tudo isto seria como chegar ao atual Presidente da República e pedir-lhe que colocasse de lado décadas de vida política e civil na defesa de interesses de Portugal. E, na passada, pedir-lhe que abdicasse das presidenciais de janeiro a favor de um qualquer Zé Alberto, que certo dia decidiu pôr-se à procura de emprego, bem pago mas para outros fazerem o que querem porque ele seria lá posto para isso mesmo!

Em cima

A democracia no Benfica, onde os sócios vão ter, nestas eleições, três propostas para optar!

Em baixo

Os interesses instalados que não param de tentar tudo (até inventando listas) para não perderem o controlo que têm sobre o Benfica.

Adepto do Benfica

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