Opinião

100 anos!

No dia 6 de março abrirei uma garrafa de espumante para comemorar os 100 anos do PCP. Normalmente fazia-o nos almoços comemorativos que envolviam muitas pessoas que assinalavam a data como se do aniversário de um familiar se tratasse. Este ano tal não será possível, mas irei, às 15 horas, até à Av. dos Aliados para, cumprindo as regras sanitárias, festejar alegre e coletivamente a efeméride.

E este será o único centenário partidário português a que assistirei - o PS tem "apenas" 47 anos. O que diz muito sobre o PCP, que passou metade da sua vida na mais rigorosa clandestinidade, sob o foco feroz da ditadura fascista que sobre ele abatia a sua bestialidade, prendendo, torturando e matando os seus militantes. Que eram homens e mulheres que, durante longos 48 anos, em que a luz ao fundo do túnel não se vislumbrava, não desistiram e contribuíram, com o seu esforço, para que o 25 de Abril fosse possível. Bem sei que, felizmente, a maior parte dos portugueses de hoje não viveu o fascismo. Mas espero que, pelo menos, tenham a decência de reconhecer aos comunistas esta coragem, e de agradecer o papel que desempenharam para que vivamos em democracia.

Regime democrático de que o PCP é um dos principais esteios e de cujo documento fundador - a Constituição de 1976 - é o principal defensor, exigindo diariamente o seu efetivo cumprimento.

Nestes 100 anos houve erros, decisões de que nos arrependemos, exageros, injustiças. Outra coisa não seria de esperar, face à complexidade das situações atravessadas ao longo dos tempos e ao facto de um partido ser constituído por homens e mulheres imperfeitos. Mas isso não escamoteia a correção e a justeza das decisões fundamentais. E não esmorece o orgulho que sinto por, há tantos anos, ter aderido a este partido.

*Engenheiro

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